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CRONOLOGIA TEXTOS MEMORÁVEIS
 CONTAGEM REGRESSIVA: Radiohead no Brasil em março de 2009
@ Hanrrikson de Andrade
NO RIO DE JANEIRO
Novembro 11, 2008
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Estava eu vagando despretensiosamente pelo Twitter, na tarde desta terça-feira (11), no momento em que me deparei com a seguinte mensagem: Radiohead confirma turnê na América do Sul; banda de Thom Yorke passará pelo Brasil em março de 2009, twittada às 13h26min (de Brasília) por @rollingstonebr. Ora bolas, pensei, certamente mais uma suíte¹ vazia sobre o aguardado show da banda inglesa em solo tupiniquim. Afinal, que o RH faria uma turnê pelo continente sul-americano no próximo ano, incluindo Argentina (confirmado para o dia 25 de março), Chile (dia 27) e possivelmente o Brasil, já sabíamos há algum tempo. No entanto, a nota traz um detalhe: já começaram a vender os ingressos para o show no Chile (!!!), que acontecerá no Estádio San Carlos de Apoquindo, em Santiago. Os valores variam entre 27,5 mil e 77 mil pesos chilenos (entre R$ 110 e R$ 260). Isso quer dizer que as chances do Radiohead vir realmente ao Brasil, decerto a apresentação mais aguardada da década, são imensas! No site oficial, ainda não há uma confirmação em relação às datas, horários e outros detalhes do show por aqui. Porém, segundo o alconcierto.com, as prováveis datas são 30 e 31 de março (São Paulo e Rio de Janeiro), com abertura dos islandeses do Sigur Rós.


É bem verdade que, em relação ao Brasil, o Radiohead se consolidou na posição de uma das bandas mais vem-não-vem do cenário musical. Entretanto, a confirmação e o início da venda de ingressos para o show no Chile, o interesse explícito do grupo em tocar no Brasil e na Argentina (os três foram os únicos países latino-americanos que o RH topou), a entrevista do Phil Selway à Rolling Stone, a história da menina brasileira que foi a um show do Radiohead na Inglaterra e colocou em seu orkut uma foto do ingresso, no qual Ed O’Brien teria deixado uma mensagem como “O Radiohead fará um show no Brasil. Aguardem” ou algo do tipo, os inúmeros posts em blogs brasileiros, mexicanos, peruanos, enfim, tudo leva a crer que uma das melhores bandas da atualidade realmente passará por aqui em 2009!

Portanto, vamos aguardar. E economizar. Se eu não conseguir ingressos de maneira tradicional, seja nas bilheterias ou online, algum cambista ficará rico às minhas custas.

CINCO MOTIVOS (PESSOAIS) PARA NÃO PERDER O SHOW DO RADIOHEAD

Radiohead é a banda que eu mais escutei até o presente momento, como bem mostra o meu Last.fm, apesar de ter sido resetado recentemente.

Radiohead foi a primeira banda cuja discografia eu me arrisquei a baixar, ainda na época da internet discada. E isso inclui b-sides, bootlegs, apresentações ao vivo etc.

Falando em apresentações ao vivo, o Radiohead também domina o meu HD no quesito vídeos. São inúmeros clipes e vídeos de shows, incluindo alguns da turnê do In Rainbows, como o em Copenhagen, na Dinamarca.

Radiohead foi a trilha sonora para uma série de coisas, as quais prefiro não detalhar, por razões óbvias. Qualquer ser humano esperto sabe do que estou falando.

Radiohead me fez comprar um aparelho vídeo-cassete e uma fita VHS virgem em 2003, nas vésperas do natal, com uma única finalidade. Exatamente no dia 25 de dezembro, a MTV exibiu parte do show em Glastonbury, no mesmo ano, pela turnê do Hail To The Thief. Mesmo não tendo tv a cabo, fiz questão de gravar (na época, o sinal da MTV pegava no canal 24 de qualquer televisão e a imagem era um lixo).

¹ Do francês suite, isto é, série, sequência. Em jornalismo, designa a reportagem que explora os desdobramentos de um fato que foi notícia na edição anterior. In Manual de Redação da Folha (http://www1.folha.uol.com.br/folha/circulo/manual_producao_s.htm).

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 Barack Obama: o homem que transformou a desconfiança em esperança
@ Hanrrikson de Andrade
NO RIO DE JANEIRO
Novembro 05, 2008
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Ninguém precisaria ser gênio para concluir que a vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais norte-americanas, confirmada nesta quarta-feira, é importante sob qualquer foco de análise. Não podemos criar expectativas fantasiosas, claro, e achar que o primeiro presidente negro dos Estados Unidos afrouxará a gravata do capitalismo, estabelecerá uma relação amistosa plena com o Oriente Médio, operará um milagre a fim de solucionar a crise econômica, entre outras coisas. Guardadas as devidas proporções, refiro-me à algo muito parecido com o que ocorreu no Brasil, em 2002, quando muitos achavam que o triunfo de Lula e a ascensão do Partido dos Trabalhadores ao cargo máximo do poder executivo agregariam ao país valores socialistas, ou que pelo menos remetessem ao conceito da ruptura sociopolítica e socioeconômica. Não, senhores, não se faz política dessa forma, ainda mais num país heterogêneo, cujo estado de direito possui caráter dicotômico, fisiológico, em uma cultura norteada pela angústia do consumismo e do pré-patriotismo incondicional.

A eleição do candidato democrata, na verdade, tem um duplo viés: uma espécie de arrependimento quanto à reeleição do tragicômico George W. Bush, que conseguiu superar o pai e se consolidar na posição de um dos piores presidentes da história dos EUA; e a necessidade de uma mudança mais ampla, praticamente existencial, na formação ético-moral de cada norte-americano. O conservadorismo, antes tão exaltado, ficou obsoleto e virou até motivo para vergonha, piada e escárnio. Assim, Obama transformou a desconfiança em esperança – teve os votos dos brancos e latinos, tidos como conservadores, e venceu em estados historicamente dominados pelos republicanos, como a Flórida (no total, o democrata venceu em 28 estados; nas eleições de 2004, ao fim da apuração, John Kerry triunfou em apenas 20). Portanto, não é exagero algum dizer que Obama simboliza uma oportunidade de união e integração entre as diferentes facetas do povo norte-americano.

Em relação à política externa, os ganhos são ainda maiores. A vitória de Obama foi praticamente consensual em todo o planeta. Os africanos, por motivos óbvios, estão mais do que simplesmente felizes, estão orgulhosos, pois vêem o candidato democrata como uma espécie de filho, já que seu pai nascera no Quênia e alguns de seus familiares ainda vivem por lá. Na Europa, principalmente em países como a França e a Alemanha, uma maior identificação ideológica, filosófica e política. Já para a América Latina, respeito e valorização, além de uma possível transgressão de antigas picuinhas diplomáticas (como nos casos de Bolívia, Venezuela e Cuba, que até já vivem a expectativa por uma guinada de cento e oitenta graus nas relações com os EUA). No Oriente Médio, chefes de estado também já consideram a possibilidade de uma aproximação política (embora eu considere improvável essa possibilidade). Em suma, desde John Kennedy os Estados Unidos da América não viviam em um clima de tanto entusiasmo com os rumos políticos do país. Bom para eles, bom para o mundo.

Quanto ao Brasil, a vitória de Barack Obama pode não significar um progresso maior do que o esperado em relação ao campo econômico, uma vez que os democratas são famosos por uma postura protecionista e intervencionista, mas creio que o diálogo será muito mais aberto, franco e produtivo do que seria caso John McCain fosse eleito. Não teremos uma imersão imediata do etanol no mercado norte-americano e continuaremos reféns de sua política cambial, claro, mas esse é um panorama que passa por muitos outros fatores, e não depende exclusivamente da eleição de um democrata, um republicano ou quem quer que seja. Conta a nosso favor o diálogo positivo construído em função dos progressos da economia brasileira em escala global (proporcional à gradativa queda do interlocutor), e há condições favoráveis para a continuidade dessa boa relação. Assim espero.

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