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 [Curtas] O desafinado e o diferencial
Hanrrikson de Andrade
hanrrikson@gmail.com
Setembro 10, 2008
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O VERDADEIRO DESAFINADO. Desde que vi Os Desafinados, questiono-me: por que diabos deixaram Rodrigo Santoro se arriscar como cantor? A dublagem seria a opção correta, haja vista que o ator brasileiro (futuro par gay de Jim Carrey em I Love You Phillip Morris) não tem uma voz minimamente aceitável para entoar cânticos da Bossa Nova. Quanto ao piano, tudo bem, ele não compromete (apesar da notória falta de "postura"). Cantando, porém, seria capaz de arrancar os cabelos de Simon Fuller. Menos mal que Walter Lima Júnior e companhia foram precavidos em relação a Cláudia Abreu. A cantora que faz a dublagem, por sinal, tem uma voz realmente agradável.

Clique aqui para ler a crítica de Os Desafinados, publicada no [EM CARTAZ]. Em breve a crítica de Linha de Passe.

REFLEXÕES DA SEMANA. Eu sou o único que assiste History Channel. E Alfred Hitchcock Presents, também conhecido no Brasil como Suspense, do TCM. Provavelmente, um consumidor solitário de Fanta Uva (em detrimento da famigerada Coca Cola) após o almoço. Sem falar na minha capacidade de dormir enquanto ando (isso já rendeu pequenos e vergonhosos acidentes). Um dos poucos que tem coragem de beber Jivago e puxar conversa com uma mulher que fuma Derby vermelho (ha, ha). O último dos usuários do Netscape (ha, ha²) e que segue convicto de que nunca participará de uma comunidade cuja nomenclatura é eu odeio alguma coisa. Assim como não vê sentido em aderir ao Blip.fm, uma das recentes modinhas da internet. Tal como assiste (esporadicamente, no duro) a um ou outro capítulo de Os Mutantes, da Record.

Foda-se. Peculiaridades nos diferem.

Na próxima coluna O Bom Brasileiro, a dialética do diferencial.

Leia também:

Além das Telas: Mickey Rourke devolve o brilho a Veneza
Crítica - O Mistério do Samba
Crônica pós-balada (3/9/2008)
O blogueiro tipicamente brasileiro

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 Crônica pós-balada - Baseada em fatos reais
Hanrrikson de Andrade
hanrrikson@gmail.com
Setembro 06, 2008
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Ao pisar na Casa da Matriz, localizada na Rua Henrique de Novaes, Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, Patrício teve uma surpresa desagradável. Sua mãe, a Dona Sônia, 36 anos, conversava próximo ao balcão com um homem visivelmente mais novo do que ela. “Que merda”, pensou ele, ébrio. Esta não foi a primeira vez que Patrício, o personagem da balada desta quinta-feira (4), amigo de infância do meu colega de trabalho Thiago Hess, se encontrou nessa situação. Cogitou ir tirar satisfações com o sujeito, mas do que isso adiantaria? Nada, concluiu. Esse é o viés negativo de vir ao mundo por meio da inconseqüência de uma jovem adolescente de classe média. O contra de ter uma mãe balzaquiana.

Como de praxe, eu, Hess e Cláudio saímos da redação por volta das vinte e três horas, após o adiantamento de boa parte do material do dia seguinte. Patrício, convidado por Thiago, nos esperava na porta do cinema Unibanco Arteplex, próximo ao Botafogo Praia Shopping. Tomamos algumas cervejas e doses de uísque no Boteco Salvação a fim de, como diz o nosso colega de mesa de bar e aspirante a poeta Fernando Oliveira, dar uma calibrada na alma. Patrício, que recentemente terminou um relacionamento de três anos com uma menina árabe, foi o primeiro a ficar bêbado.

O relógio marcava meia noite e quarenta e cinco minutos no momento em que adentramos à Casa da Matriz. Ainda estava relativamente vazio, já que a maioria das pessoas que freqüentam o lugar prefere beber em outros lugares antes de entrar. Afinal, os drinks são um tanto caros. Patrício parecia não acreditar no que estava vendo; balançava insistentemente a cabeça em sinal de negação. Já meio cambaleante, disse a cada um de nós, em tom de sussurro: “Beberemos”. Eu, Hess e Cláudio rimos. “Repitam comigo”, reforçou ele. “Hoje beberemos muito”. E bebemos. Tanto que há alguns detalhes que serão ignorados nesta crônica, uma vez que eu lembro parcialmente – em flashes – de algumas coisas.

Recordo-me de Sandra, 25 anos, que teve coragem de puxar assunto com Patrício mesmo ciente das condições etílicas nas quais ele se encontrava. Papearam por uns vinte ou trinta minutos. Eu e Hess, do outro lado da pista de dança proseando com as irmãs Carla e Livian, assíduas freqüentadoras da Matriz, já achávamos que Patrício e Sandra não tinham futuro em curto prazo, se é que vocês me entendem. Mas o rapaz surpreendeu e conseguiu acertar o alvo. Parecia nem mais se lembrar que a mãe, Dona Sônia, flertava com um cara da nossa faixa etária há alguns metros dali.

Quatro da manhã. Como todos trabalhariam no dia seguinte, chegamos ao consenso de que era melhor decretar o fim da noitada. O problema foi convencer Patrício, que estava um tanto empolgado com a sua companhia – o que é decerto compreensível, pois Sandra é realmente bonita e, ao que me parece, muito simpática. Além disso, mostrou talento para cuidar de pessoas bêbadas. Dessa forma, não podemos recriminar Patrício por não ter aceitado uma carona até em casa. Tudo o que eu, Hess e Cláudio soubemos no dia seguinte foi relatado pelo próprio Patrício, via MSN. Portanto, não é culpa minha se um ou outro detalhe não for condizente com o que realmente aconteceu.

O sol começava a raiar quando Patrício e Sandra, enfim, se conscientizaram de que a balada chegara ao fim. Trocaram telefones, endereços de email e promessas de que contatos seriam feitos posteriormente. Ele, um pouco mais lúcido, perguntou como ela faria para ir embora. “Meu irmão vai me dar uma carona” respondeu ela, mostrando uma mensagem de texto em seu celular: “Vc ainda ta aí? Vem para a Pista 3, estou do outro lado da rua”. Patrício teve então a infeliz idéia de acompanhá-la – são dois ou três minutos de caminhada. Curiosamente, de acordo com o relato do próprio protagonista, não houve constrangimento em relação ao primeiro contato entre Patrício e o irmão de Sandra, Felipe. Pelo menos no que diz respeito à apresentação.

Após alguns minutos de conversa jogada fora, literalmente, e reclamações a respeito das condições climáticas – nuvens escuras se faziam presentes – Sandra lançou uma pergunta despretensiosa, mas cuja resposta fez Patrício engasgar com uma generosa dose de constrangimento. “Você não estava acompanhado?” perguntou ela, desfazendo-se de seu cigarro. Felipe, encostado em sua Palio Fire, com um copo de cerveja numa das mãos, respondeu: “Sim, estava. Mas a Sônia, preocupada com o filho, resolveu ir embora mais cedo”.

Leia também: O blogueiro tipicamente brasileiro, Em geral, mulher argentina é chave de cadeia e [EM CARTAZ] analisa o documentário O Mistério do Samba

A coluna Crônica pós-balada não tem uma periodicidade específica. É publicada sempre nos dias que sucedem as noitadas do autor deste blog. Apenas os nomes não são verdadeiros.

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