No fim das contas, a Mulher sempre ganha - Parte II |
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(Para ler a Parte I, clique aqui) *** O que aconteceu foi o seguinte: Bobby acabou decepcionando a entusiástica Vitória, que acompanhou, com olhares estáticos, a minha infindável adaptabilidade aos entresseios de Cassandra. Sensacional, eu pensava. Triunfo duplo. Não só tivera a melhor experiência sexual até então, mas como também pude arraigar lágrimas de raiva nos olhos de minha ex-esposa. Na volta para casa, enquanto dirigia, Vitória resolveu apelar: fechou os vidros, os quais eram devidamente protegidos por insulfilm, abriu rapidamente, sem que eu pudesse esboçar reação alguma, o meu zíper, e tentou abocanhá-lo, sim, abocanhá-lo, com velocidade e intensidade suficientes para superar o cometa Halley na prova dos cem metros rasos.
Ahhhhhhhhh! - gritei. - Louca, totalmente louca! Você acha que eu sou de ferro? Custa ser um pouco menos bruta?
- Se fosse a tal da Cassandra, você não estaria reclamando, seu grandessíssimo filho da puta - respondeu, erguendo a cabeça, para logo depois retomar o que se propôs a fazer.
- Ora, deixe de ser canalha, Vitória! Você foi a mentora intelectual do que fizemos. Não era tudo muito superficial, sem profundidade? - questionei, engatando a terceira marcha.
(...)
- Ahhhhh! Ahhhhhh! - gritei novamente, contorcendo-me em espasmos. - Não que esteja ruim, mas... O tipo devoradora de pênis não combina com você, querida.
Neste instante, Vitória recolheu-se, ajeitou os cabelos no retrovisor e caiu num choro inconsolável, fazendo-me estacionar o veículo e sacar uma caixa de lenços do porta-luvas. Ela já tinha uma esquete pronta, que, quase sempre, incluía choro forçado e acessos de raiva. Portanto, a desagradável conversa seria, mais uma vez, levada em tom wagneriano. Mas, providencialmente, o celular dela tocara no momento em que eu me preparava para lembrá-la de suas atitudes egoístas e inescrupulosas. Melhor para mim, pensei.
Do outro lado da linha estava ninguém menos do que Bobby Salamandra, o brocha. Cinco minutos de conversa e tínhamos mais uma sessão de swing praticamente agendada. Vitória, tomada por um injustificável otimismo em relação às teorias de Aristóteles Peru, concordou. Engoliu o choro, respirou fundo e começou a falar sobre persistência, amizade, companheirismo e demais tópicos abordados por esposas insatisfeitas. Eu, sem muita paciência, fui breve: "Vai para o inferno".
- Como assim você se negará a ir comigo? Está oficialmente desistindo do nosso casamento? - perguntou, bufante.
- Estou oficialmente chegando a uma única conclusão: Você é louca! - respondi, ligando o carro.
Vitória calou-se. Infelizmente, não por concordar com minha conclusão a respeito de sua sanidade. Silenciou-se até encontrar novas estrategemas retóricas.
- Pense em Cassandra. Pense no tamanho do sutien que ela utiliza - disse, com um sorriso que me fez sentir vontade de quebrar os seus dentes, um por um.
- Veja bem como você é ridiculamente sofista. Golpe baixo de quinta categoria. Não foi com essa mulher que me casei - respondi, lembrando-me do tamanho do sutien de Cassandra. É, fora um baita golpe baixo.
- Sem lições de moral, babaca. Neste caso, os fins justificam os meios - disse.
Por um minuto, efêmeras imagens de Cassandra foram, lentamente, bombardeando a minha ajaezada resistência moral. Não teve jeito.
- Está certo. Irei com você.
Quatro dias após, estávamos lá novamente. Eu, Vitória, o casal Salamandra e o Dr. Peru (portando, mais uma vez, o seu aparato cinematográfico. Só que, dessa vez, o filme escolhido se passava em Eindhoven). O imediatismo de outrora fora substituído por um longo diálogo entre os casais problemáticos e o Dr. Peru, que nos aconselhou a praticar o swing por pelo menos duas vezes na semana. Intrigado, não aferi palavras.
- Doutor, me permite fazer uma pergunta?
- Claro, Victor - respondeu, sorrindo.
- O método terapêutico adotado pelo senhor tem algo a ver com um possível distúrbio sexual? Convenhamos, essas câmeras são realmente necessárias? - perguntei, olhando-o desconfiado.
- Faz parte do tratamento. É tudo o que o senhor precisa saber - respondeu, constrangido.
- E por que diabos todos os filmes se passam nos Países Baixos? Bruxelas, Eindhoven... - indaguei, realmente curioso.
- Eles são os melhores do ramo - ronronou, finalizando o diálogo.
Aristóteles Peru levantou-se, fechou as cortinas e se retirou da saleta. Em menos de dez segundos, Bobby já estava arrancando violentamente a roupa de Vitória e jogando-a sobre o divã. Refugiei os olhares em Cassandra, que também não me pareceu confortável diante da iniciativa animalesca de nossos parceiros. Ainda constrangidos, demos início às preliminares. Mas não demorou para que Cassandra percebesse a minha falta, não proposital, obviamente, de ânimo. E, antes de qualquer pré-julgamento, devo lembrar que, dias antes, Vitória tivera um comportamento sexualmente hostil enquanto eu dirigia despretensiosamente.
Além disso, os urros de Vitória eram decerto desestimulantes. Tanto que eu, tomado por uma raiva inédita, me retirei da saleta assim que a ouvi gritar algo do tipo "fode a sua putinha desclassificada, garanhão". Pois é, em momento algum, imaginava que Vitória fosse capaz de bater com a cabeça no teto com outra pessoa senão eu. Aliás, sinceramente, não sabia nem se algum dia ela já havia batido com a cabeça no teto. Mas Bobby Salamandra estava lá, fazendo com que ela se sentisse sexualmente realizada. Que merda. A fusão entre ciúme e raiva parecia um desses sonhos ruins que se têm após uma noite de bebedeira. Morte ao Bobby Salamandra.
- Não se impressione, meu caro. Ele tomou Viagra - disse Cassandra, sentada ao meu lado, com uma Veja de cinco anos atrás em seu colo, a qual folheava.
- Não é isso que me incomoda - respondi, cabisbaixo.
- Está com ciúmes? - questionou.
- Não exatamente. Bom, vou esperar por Vitória no carro. Algum incômodo se eu deixá-la sozinha? - perguntei.
- Sinceramente, não. Já estou entediada mesmo - cricrilou, fixando sua atenção em uma matéria sobre o crescimento da indústria agropecuária nos últimos dez anos.
Sentei no banco do motorista, o qual recostei a fim de tirar um breve cochilo, afinal, a tortura ainda levaria mais uns quinze minutos. Coloquei Built to Spill no tocador de cd e repousei. Neste pouco tempo de sono, tive dois sonhos. No primeiro, um ator pornô belga - chamado Bobby - vivia uma dessas comédias românticas enlatadas com uma estudante americana - de nome Vitória -, cujo pai financiara os estudos em Bruxelas. No segundo, o flautista holandês Bobby se apaixonava pela rockeira saudita Vitória Régia, que resolve abandonar o namorado - um baterista beberrão e integrante de uma célula terrorista - e se muda para Eindhoven. Naturalmente, acordei assustado e ofegante. Através do retrovisor, observei que Vitória se aproximava do carro - com os cabelos molhados e um sorriso no rosto. Entrou calada e assim permaneceu durante boa parte do caminho. Não muito distante do local em que estacionara na outra vez, parei o carro e fechei os vidros. Ela, um pouco confusa, tratou de cruzar as pernas.
- O que há com você? - perguntou ela.
- Me promete uma coisa? - repliquei.
Vitória, então, acenou com a cabeça em sinal de positivo.
- Que nunca mais vai se encontrar com este maldito Bobby Salamandra. Assim como nunca mais vai retornar ao consultório do Dr. Peru.
- Mas por que isso agora? - indagou, com alguns pontos de interrogação acima de sua cabeça.
- Não te parece óbvio? - perguntei. - Os urros e as palavras de ordem proferidas no decorrer de sua ignóbil experiência sexual com o tal do Bobby Salamandra foram como marteladas nos meus joelhos. Moralmente, tornei-me incapaz de realizar qualquer movimento básico com as pernas. Estou estático, querida.
- Não compreendo, Victor - disse, colocando sua mão esquerda sobre o meu ombro e fazendo aquela cara de estou com fome.
- Assumo a indiferença, a maledicência, o cinismo, o orgulho imbecil, o egoísmo, a infantilidade, a falsidade e a ausência de companheirismo. Mas não consigo, em hipótese alguma, aceitar a idéia de te ver urrar com outro cara.
- E o que você vai fazer? Cortar os pulsos? - questionou, franzindo as sobrancelhas.
Ela estava à frente no placar. Por isso, em momento algum, abdicaria do sarcasmo.
- Talvez - respondi, ligando o carro. - Mas, antes disso, pedirei o divórcio.
Vitória ficara espantada, claro, mas seu ego estava inflado o bastante para quaisquer objeções. Chegamos em casa, pedimos pizza e assistimos ao episódio de The 70's Show. Ainda no sofá da sala, ela caiu no sono e eu, sorrateiramente, aproveitei para fazer as malas. Antes de me retirar, imprimi dois textos feitos por mim, nos quais enaltecia as suas qualidades enquanto esposa (caso ela quisesse, em breve, começar a busca por um novo marido espalhando currículos por aí), e deixei no armário junto com alguns objetos pessoais. Despedi-me dos cães, Juca e Astrúbal, deixei aproximadamente setecentas pilas para as contas do mês, e me retirei, sem antes improvisar um lençol e dar um beijo em sua testa. Esta, enfim, foi a última vez em que a vi.
Neste meio tempo, antes e depois do divórcio, aproveitei ao máximo a sensação de liberdade, o que afastou a possibilidade de remorso ou arrependimento gratuito. Mas, se querem saber, eu gostava dela, mesmo com todos os defeitos e imperfeições, afinal, éramos dois erráticos convivendo no mesmo espaço, falando sobre as mesmas coisas, vendo os mesmos filmes e freqüentando os mesmos lugares. Mandei algumas cartas, emails, e até comprei alguns presentes em determinadas datas - os quais nunca enviei -, mas não obtive resposta alguma. Cheguei, enfim, à conclusão de que as vinte e nove outras batidas à porta não valiam tanto a pena assim. Afinal, por que bater na porta se existe uma campainha?
* Em relação ao casal Salamandra, a última informação que tive dá conta de que eles continuam adeptos do swing, embora tenham se decepcionado com o Dr. Aristóteles Peru. Bobby, inclusive, teria se especializado e investido na área. Atualmente, a maior rede de casas de swing da América Latina atende pelo nome de "Salamandra sempre a postos". Cassandra seria a diretora de finanças do tal empreendimento. Ela tem, pelo menos, três relacionamentos extra-conjugais.
* Quanto ao Dr. Aristóteles Peru, poucas novidades. Continuou a percorrer o país a fim de ministrar palestras e difundir os seus métodos terapêuticos. Mas, de uns tempos para cá, tem utilizado uma nova ferramenta: uma compilação dos melhores momentos de todas as sessões de swing promovidas por ele. O dvd, que custa aproximadamente setenta pilas, ganhou um sugestivo nome: "Festa carnal na saleta do Dr. Peru".
ouvindo: built to spill - carry the zeroMarcadores: contos idiotas, divorzio all'italiana, divórcio, ex-esposa maluca, soren kierkegaard, the 70's show |
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publicado por AFORISMO.NET @ 31.3.08
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No fim das contas, a Mulher sempre ganha - Parte I |
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Kierkegaard dizia: "O mais difícil não é seduzir uma mulher, mas sim encontrar uma digna de ser seduzida". Não que o filósofo do existencialismo cristão (que, aliás, vangloriava-se de seu sucesso com as escandinavas antes de se tornar um carcinza religioso), a quem muitos consideram verborragia adolescente, estivesse equivocado. Mas a contemporaneidade (sempre ela) modificou o plano da prioridade, por assim dizer. Hoje, Kierkegaard admitiria que toda e qualquer mulher merece o mínimo de atenção e análise crítica, sucedidos, claro, de doses letais da mais pura e autêntica arte persuasiva. Ainda mais se são do tipo "falo pouco, faço muito".
Kirkegaard, inclusive, me faz lembrar de minha ex-esposa, Vitória Régia, cuja personalidade é comparável a de uma goma de mascar em processo de degradação. Vitória, tal como outras centenas de mulheres virtuosas, não tinha limites quando o assunto era erigir conceitos supervalorizados de si mesma. Quase sempre prolixa, não soube em momento algum expor suas opiniões sem recorrer ao "se não concordar comigo, peço o divórcio". Determinada vez, para vocês terem uma idéia, ela resolveu fazer pouco caso da situação na qual nos conhecemos.
- Você, por acaso, seria capaz de lembrar forma na qual nos conhecemos? - perguntou, com um sorriso meticulosamente apropriado ao sarcasmo de suas palavras.
- Bom, eu pouco lembro do nosso primeiro encontro. Sei que fora à noite, o céu estava estrelado, bebíamos algo; tinha, afinal, um entorno romântico - respondi, esquivando-me.
- Sim, mas... Como você, afinal, entrou na minha vida? - replicou, insistente.
- É... Faz diferença para você? - falei, cogitando a possibilidade de deixá-la falando sozinha.
- Na verdade, não - ronronou, pensativa.
E não fazia mesmo. Melhor não entrar em detalhes.
Não posso dizer que seduzi-la facilmente, mas foi decerto simples encontrá-la. Tanto que o divórcio - na maior parte do tempo usado por ela como elemento persuasivo - não demorou a sair. No fim das contas, ela se tornou uma espécie de argumento a favor da busca por quantidade (em detrimento da qualidade). Logo após a total exoneração de meus laços matrimoniais, fui à caça, literalmente. Só na primeira semana, cerca de vinte e nove outras oportunidades que valiam à pena bateram à minha porta. Tal desempenho me deixou entusiasmado, ávido por mais conquistas. Mas a trigésima batida à porta seria, na verdade, um banho de água fria e, por conseguinte, uma espécie de argumento para todos aqueles que exaltam a minha proeminente imbecilidade.
- Precisamos conversar - disse Vitória, ofegante.
- Sobre? - questionei, indiferente.
- Somos adultos e devemos agir como tal. O fim da linha de um casamento não pode ser tão simplório assim. Precisamos conversar e chegar a um consenso - afirmou.
- Entre - falei, sem mais delongas.
A desagradável conversa foi levada em tom wagneriano. Provida de falsetes abafados contendo fugazes cápsulas de ironia e maledicência, nossa pequena tragédia dialogal só fora interrompida pelo tilintar do relógio (eram seis horas e já estava para começar a série "The 70's Show", a qual eu e Vitória éramos telespectadores assíduos). Retomamos às oito, após o jantar - pizza de calabresa, já que minha ex-esposa sempre fora um total fracasso no que diz respeito à gastronomia, por mais básica que esta seja. Depois de um curto período em silêncio - já não havia mais argumentos de ambas as partes e o noticiário estava prestes a começar -, Vitória sacou do bolso de seu casaco um pequeno panfleto - nas cores vermelho e azul -, e me olhou tal como Mendel quando descobrira a finalidade alternativa das ervilhas.
- Já sei. A solução atende pelo nome de Aristóteles Peru - falou, mostrando-me o panfleto.
Quem diabos era Aristóteles Peru? No tal panfleto, o próprio se descrevia como "a solução eficiente para todo e qualquer problema conjugal". Na verdade, ele era um famoso autor de livros de auto-ajuda e ganhava uma bolada dando palestras por todo o país sobre como manter a harmonia e o relacionamento saudável após o casamento, além de promover constantes terapias para casais. Vitória acabou por me convencer a procurar o potencial charlatão metido a Santo Antônio e, no dia seguinte, estávamos sentados em uma carteira escolar ouvindo um sem número de baboseiras sobre como evitar brigas na hora de trocar uma lâmpada, abrir uma lata de palmito ou até mesmo como desconsiderar provocações no decorrer de transmissões televisivas de eventos esportivos e tudo o mais. Até aí, tudo bem. Mas qual não foi o meu espanto quando o Senhor Peru sugeriu que eu e Vitória participássemos daquilo que os balzaquianos chamam de swing. Para ser sincero, o que me deixou de fato boquiaberto foi a prontidão com que minha ex-esposa aderiu à idéia. Sem muito saber o que estava fazendo, concordei com a sacripanta.
Uma semana depois, voltamos ao consultório de Aristóteles Peru e, logo de cara, fomos apresentados ao casal Cassandra e Bobby Salamandra. Ele, muito simpático, se encarregou da iniciação dialética. Bobby era do tipo antilibertinagem e demonstrava nítida preocupação em reforçar o amor por sua esposa, fosse com gestos, abraços ou atitudes lascivamente piegas, ou até mesmo com elogios gratuitos e comentários ligeiramente forçados acerca da beleza de Cassandra, que não parava de roer as unhas. Já entediado, cricrilei algumas palavras gentis para ela, que respondeu com olhares convidativos. Vitória, angustiada, deu um leve e discreto chute na minha perna direita e, em seguida, sussurou no meu ouvido.
- Aqui é tudo muito casual, sem profundidade. Você não precisa simular uma espécie de flerte, seu babaca.
Respondi com um sorriso. Antes que eu esbaforisse uma asneira qualquer, Aristóteles Peru adentrou o consultório portando um tripé, algumas fitas VHS e uma parafernália que muito se assemelhava a uma filmadora ou algo do tipo. Dera a justificativa de que faria tudo para tornar o ambiente mais agradável e menos formal, o que, obviamente, não foi o suficiente para nos deixar menos preocupados. Após montar o aparato cinematográfico e colocar o filme "Festa carnal em Bruxelas" no aparelho de vídeo, retirou-se do consultório. A partir daí, você já consegue imaginar o que aconteceu.
(Continua)
ouvindo: ludov - fugi desse paísMarcadores: contos idiotas, dia internacional da mulher, histórias inúteis, soren kierkegaard |
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publicado por AFORISMO.NET @ 10.3.08
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