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A vida e obra de Mosquito Louis - Capítulo III
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| Janeiro 14, 2008 |
(Para ler os dois capítulos anteriores, clique aqui) CAPÍTULO III - León era um bom sujeito, apesar de tudo. Temperamental, insone e com relativos traços de personalidade um tanto quanto violentos para um homem que até outro dia era o coroinha da Igreja de São Manolo, mas, acima de tudo, uma pessoa honesta, ligeiramente carinhosa e profundamente solitária. Também pudera; foi criado pela vovó Acheropita Papazone - a quem chamava de Vó Chopita -, que tinha por hábito utilizar os mais cruéis e primitivos mecanismos de castigo infantil. À medida em que foi crescendo, sua orelhas ficaram tortas em virtude dos incontáveis e dolorosos puxões, sem falar nos hematomas nos joelhos, pernas, cotovelos e antebraço. Durante quase toda a fase em que o ser humano se limita à produção deliberada de coriza, o pobre rebento da tradicional família Espírito Santo conviveu diariamente com a personificação do Coisa Ruim. Tal fato provocara efeitos psicossomáticos irreversíveis, que geraram uma insônia crônica - desde os nove anos de idade - e uma capacidade deveras asquerosa de comer frango empanado como se este tivesse alguma culpa por seu traumático início de vida.
Assim que todos os personagens secundários na cena do parimento deixaram o apartamento 410 do Marechal Lisandro Vega, León se sentou no chão e desatinou a chorar. "É meu filho!" gritava ele, repetidas vezes, com a voz esganiçada de um borra-botas estupidamente emocionado. Seus lamentos estrídulos não foram suficientes para despertar Conceição, que caíra em sono profundo no sofá. O açougueiro ali ficou por aproximadamente duas horas e, entre soluços, choramingos e espamos inenarráveis, olhava furtivamente para a criança, confortavelmente instalada sobre a barriga da mãe. Queria ficar ao lado de Conceição e formar uma família com pelo menos nove catarrentos, mas não aceitaria, jamais, que ela desse prosseguimento às suas atividades sexuais remuneradas.
O sono de Conceição, de tão profundo que era, só veio a ser interrompido pelo som jazzístico de seu próprio ronco. Levantou-se rapidamente, acomodou a criança no sofá, e viu León sentado ao chão da sala, com uma lata de cerveja em uma das mãos e dois cigarros de filtro vermelho acesos na outra.
- Você está fumando dois cigarros ao mesmo tempo? - perguntou ela.
- Um para cada pulmão - respondeu, sorumbático.
- Levanta-te daí, homem. Vamos providenciar um berço para o menino. Por ora, ele será acomodado naquela espaçosa caixa de papelão que usei para transportar minhas ferramentas de trabalho. Você não a jogou fora, né? - questionou, lançando olhares incrédulos.
- Aquela das lingeries, espartilhos, chicotes e tacos de baseball? - replicou.
- Exatamente - respondeu Conceição, que a essa altura já estava pronta para desferir um sem número de berros em protesto.
- Não, querida. Está na cozinha. Você, aliás, improvisou-a como moradia temporária para aquele seu gato fedorento - respondeu, levantando-se.
- Não fale assim do Cristian, León. Ei, espere, onde vai? - interpelou.
- Pegar mais uma cerveja - respondeu, seco.
Mais uma das brigas efêmeras entre os dois estava sendo desenhada. O esboço era quase sempre o mesmo - ele começava a estalar os dedos intermitentemente, fazia movimentos circulares com o pescoço e coçava a bunda. Ela, por sua vez, ficava com uma expressão facial que muito tinha a ver com um ponto de interrogação, olhava as unhas como se estas estivessem em desalinho e intercalava pequenos bufos ("aff!") com ruídos de insatisfação ("tsc!"). Na cozinha, León começou a amolar uma faca na tentativa de esquecer os problemas de caráter familiar. Conceição, que já estava pré-disposta a discutir e arremessar alguns objetos e pares de sandália, entre outros, ficou intimidada com a atitude de León. Não esperava uma ação, digamos, sangrenta. Todavia, pensava que toda e qualquer precaução nunca seria hiperbólica.
- Por que diabos você está amolando uma faca, León? - perguntou, segurando um cortador de unhas em uma das mãos, posicionada estrategicamente atrás de seu corpo.
- Sou um açougueiro, lembra? Conheço muito bem o assunto. Tenho reparado que nossas facas não estão tão eficientes como outrora foram. Por isso, vou amolá-las até que voltem à antiga forma - respondeu, obstinado a recuperar a eficiência dos tais objetos cortantes.
- Você anda exagerando na carne de porco - comentou, sarcástica.
- E você, na lingüiça - replicou, não menos sarcástico.
Conceição deu de ombros e resolveu desabrigar o pobre Cristian para acomodar o recém-nascido. O gato, aliás, esperto como todos os gatos, logo aconchegou-se no tapete de veludo da varanda. A tão dedicada mãe forrou toda a caixa, que originalmente fora pensada para carregar a televisão Telefunken, e lá colocou o bebê. Sem cerimônias e com total desconhecimento de suas condições no que diz respeito à confortabilidade, hibernou silenciosamente, com respiração serena e fortuita, sem intervalos para choramingos.
Enquanto o recém-nascido dormia, Conceição voltou para a sala e continuou a retocar as unhas, que já se encontravam em um estágio avançado da cor vermelha. León desistiu das facas. Olhou para elas e sentiu uma espécie de pena, afinal, eram apenas facas. Tão indefesas quanto ingenuamente perigosas, tão dúbias e capazes de despertar sensações puramente antagônicas. Pensou em Conceição. Da cozinha, resolveu iniciar um diálogo que, em questão de quatro ou cinco minutos, acabaria na cama do quarto ao lado.
- Você já reparou que as putas são como as facas? Podem ser utilizadas para fins meramente profissionais, o que geralmente culmina em uma asquerosa simulação de orgasmo, ou podem ser usadas para fins domésticos, o que interpreto como algo do qual ela deseja. Enfim, como quando rola uma determinada empatia com o cliente, entende? - perguntou, filosófico.
- Na verdade, não. Mudando de assunto, já reparou que o nosso filho ainda não chorou uma única vez? - respondeu, furtiva.
- Não só reparei como muito me orgulho de tal fato. Sinal de que puxou ao pai. Mas enfim, você já reparou o quanto você pode ser perigosa e indefesa ao mesmo tempo? Você pode levar um homem à loucura, mas também está sujeita a algo pior do que isso nas mãos de um filho da puta endinheirado e com tendências psicóticas - disse, insistente.
- Você se refere à mim, especificamente, ou à profissão que exerço? - questionou, já maleável.
- Não estou falando de você, apenas. Quero dizer, você me faz pensar isso, o que muito me confunde. Só de pensar que, diariamente, você é a responsável por centenas de homens virarem os olhos e gemerem como ganços enlouquecidos... Surge uma inexplicável vontade de cortar a garganta de todos eles com o mesmo preciosismo e satisfação com que corto a mais fina e incomparável carne bovina. Aliás, não só a deles, como a sua também - disse, rindo, mas não necessariamente achando graça.
Conceição fez uma pausa dedicada à reflexão.
- Quer saber? Você é completamente louco. Maluco, sabe? É como um desses velhos birutas que, dia após dia, inventam de correr por aí para manter uma saúde que jão lhes pertence mais. Você, León do Espírito Santo, é um cretino que se acha melhor do que todo mundo, só porque tem uma rotina de trabalho comparável a de um cortador de cana ou, sei lá... Algo entre um corretor da bolsa de valores e um operador de telemarketing - respondeu, com a respiração ofegante, no momento em que se levantava do sofá.
- A senhorita não tem argumentos, querida. Meu ofício é da mais pura limpeza, tanto é que, muitas das vezes, nem levo o meu avental moral. Já você não pode dizer o mesmo, pois trabalha em um lugar que atende pelo nome de "Bonecas do Benvindo Viola". Valha-me cristo! - bradou, indignado, dando dois passos à frente.
- Você não passa de um açougueiro workaholic que julga um amolador de facas mais importante do que o seu filho recém-nascido. Aliás, Doutor León, o senhor não pode falar coisa alguma do prostíbulo no qual trabalho, afinal, foi lá que nos conhecemos. Lembro perfeitamente que, assim que entramos no quarto, você me disse algo como "Hoje quero foder para espairecer, baby. Nada de superficialidades, por favor".
O rosto de León ficara da cor das unhas de Conceição. Não gostava nem um pouco quando ela tecia comentários debochados a respeito do dia em que se conheceram. Repentinamente, deu um tapa no rosto de Conceição, que, tamanha violência e intensidade do golpe, despencara sobre o sofá como um carro de teste de airbag que é intencionalmente jogado contra uma parede de metal. Tão logo bateu na mulher, colocou seu corpo sobre o dela e puxou seu cabelo até que a cabeça ficasse em ângulo visível.
- Você não vai me envergonhar, sua vagabunda. Você acha que eu não tenho coragem de te esquartejar e colocar os teus restos como liqüidação de estoque no açougue? - perguntou, bufante.
- Não, você não tem tamanha coragem e sabe muito bem disso. Na verdade, León, você é um covarde impulsivo que, em questão de alguns minutos, vai estar arrependido. Conseqüentemente, vai se humilhar para que eu te perdoe. Sabe o pior, León? Serei obrigada a ouvir o seu maldito discurso de praxe, o do eu-não-te-mereço-querida. Como um homem consegue ser tão patético? - respondeu a vitoriosa Conceição.
A resposta da antes prostituta inferior - promovida automaticamente a dona da situação - foi fatal para León. Não fora uma simples derrota, um reles insucesso, daqueles embates disputados até o último assalto, cujo resultado é divulgado após avaliação dos critérios de desempate. Ele fora nocauteado lá pelo quarto ou quinto assalto por um adversário que, em momento algum, usou suas capacidades físicas.
Levantou-se, um tanto quanto transtornado, e caminhou até o quarto. Lá estava Mosquito, dentro da caixa de papelão, chorando pela primeira vez. Conceição, desconsiderando a enormidade da mancha vermelha que decorava o seu rosto, correu para o aposento a fim de proteger o bebê. Qual não foi sua surpresa ao ver León segurando a já silenciosa criança no colo, balançando-a suavemente a fim de que ela retomasse o seu sono inviolável. Este foi não só o primeiro choro de Mosquito, mas como também a primeira vez que León exibiu autênticas qualidades paternas. Tal fato fez Conceição sorrir graciosamente e, dentro de uma perspectiva atemporal, reavivar as esperanças de que ali iria se constituir uma família.
ouvindo: the shins - phantom limbMarcadores: a vida e obra de mosquito louis |
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postado por Hanrrikson de Andrade
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14.1.08
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A questão do anti-tabagismo - parte II (da série meus planos para 2008)
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| Janeiro 10, 2008 |
Meu principal projeto para 2008 é converter um anti-tabagista em fumante. Não só porque detesto os anti-tabagistas - por motivos que já expliquei aqui - e os que reclamam do cigarro, mas como também por uma questão de aperfeiçoamento do poder de persuasão. Decerto, não há como criar grandes expectativas, isto é, acreditar que um anti-tabagista possa se transformar num exímio fumante, em um apreciador do cigarro, como diria o outro. Não seria impossível, claro, mas demanda um tempo livre que eu realmente não tenho. Minha meta (esta bem mais realista) é fazer com que o anti-tabagista em questão coloque o cigarro na boca por uma única vez. Aliás, não precisará nem tragar. Quero apenas que o maldito sinta o monóxido de carbono e todas as outras substâncias químicas (tão odiadas e diariamente discriminadas por ele) adentrando as vias respiratórias e ocupando o seu merecido espaço pulmonar. Estará de bom tamanho.
Eu não sou um lobista da indústria do tabaco, tampouco ganho dinheiro fazendo propaganda para as empresas do ramo. Não assisti ao filme "Obrigado por fumar" (embora tenha lido a sinopse), muito menos gostaria de ver os meus companheiros de mundo com problemas de saúde. Não sou o Diabo encarnado. O Diabo encarnado é o anti-tabagista. É ele que profere uma série de sentenças taxativas e preconceituosas contra os fumantes, que estão quietos em seus respectivos cantos. A pessoa que odeia e condena o cigarro tem, por natureza, uma séria tendência à falsidade. De fato, ela pode não ter a mesma concepção sensitiva, o que não se justificaria, pois o cigarro é o complemento de toda e qualquer coisa - uma espécie de extensão da alma, como diziam os franceses na década de 20. Mas nada lhe dá o direito de praguejar, reclamar e difamar tal hábito.
O café, por exemplo, é naturalmente acompanhado por um cigarro. Fumar após o almoço é tão bom quanto comer pipoca durante a sessão de cinema ou, sei lá, algo como queijo com goiabada. Nada melhor do que a sensação relaxante de um cigarro após o sexo com a esposa, namorada, amante ou amiga em estágio avançado de intimidade. O mesmo vale para as tardes entediantes de domingo, cujas alternativas de diversão são limitadas. Até existem algumas opções, como assistir aos programas de televisão tipicamente dominicais - este, talvez, seja o melhor argumento para fazer com que um anti-tabagista se renda aos prazeres do tabaco. Afinal, nem os anti-tabagistas, que são pessoas essencialmente chatas, conseguem assistir ao Domingão do Faustão e afins.
Ser anti-tabagista, para finalizar, é como perder um braço e achar que todas as pessoas são culpadas pela sua infelicidade. É como flagrar a sua esposa na cama com o vizinho e decidir matá-lo com a sua pistola trinta e oito milímetros comprada de segunda mão, afinal, você é um maria-vai-com-as-outras e precisa tomar a atitude que 99% dos seus amigos tomariam. Sem mais delongas, é chegada a hora de pensar diferente, destoar do seu grupo de amigos, ser você mesmo. Ninguém nasce odiando o cigarro, já que esta é uma espécie de imposição - que pode ser de um determinado grupo social ou aleatórias particularidades, da falsa idéia de geração saúde ou até mesmo daquele seu médico que fumava três maços por dia na época da faculdade.
Bom, antes que eu me esqueça, este tipo de reflexão existencial cai muito bem com um Diarum Black sabor canela.
ouvindo: deep purple - smoke on the water
Em tempo,
O terceiro capítulo de A vida e obra de Mosquito Louis estará disponível ainda nesta semana. Fiquem atentos, senhores.Marcadores: anti-tabagismo, cigarro, pare de fumar, planos para 2008 |
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postado por Hanrrikson de Andrade
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10.1.08
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Por que gostar de Ray Charles, cara pálida?
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| Janeiro 08, 2008 |
Antes de conhecer um pouco mais de sua música (cinco álbuns e dois shows em dvd), eu tinha uma concepção absolutamente limitada do artista Ray Charles. Sabia que era uma destas pessoas citadas como exemplo-de-vida, e tal, por sua cegueira e conseguinte superação, mas escutara pouquíssimas músicas - das que me lembro, You Are So Beautiful, em parceria com Joe Cocker, Sorry Seems To Be To The Hardest Word, em parceria com Elton John, e Yesterday, versão cover de Beatles. Tinha ouvido falar de Hit the Road Jack e de Georgia On My Mind, do The Genius Hits The Road (1961), mas desconhecia versos e melodias. Afinal, nunca havia figurado entre os meus favoritos, ao contrário de nomes como Little Walter e Muddy Waters. Confesso que não sabia, ao certo, classificá-lo; Blues, Rhythm & Blues, Soul... Estava certo de que suas canções se encaixavam no perfil trilha sonora de novela das oito, que abusavam da temática sentimentalista e da pieguice metafórica.
Mas qual não foi a minha grata surpresa ao ouvir cuidadosamente as músicas do antes tão despretensioso Ray Charles. Tudo começou após ver "Ray" - vale a pena destacar o sincero estalar de dedos ao som das músicas que compõem a trilha sonora do filme -, no cinema, sem companhia alguma que pudesse desviar a minha atenção (é sempre recomendável ir sozinho ao cinema quando se quer, de fato, entender o filme em questão). Quando cheguei em casa, a primeira coisa que fiz foi abrir o Soulseek e baixar a trilha sonora, já que a internet discada não me possibilitaria iniciar o download da discografia completa. Duas semanas depois, comprei a compilação Ray Charles Trilogy, que contém três discos com quase todos os sucessos da carreira do cantor e pianista. No fim de 2006, encontrei o dvd Live at Montrenx em uma banca de jornal e o adqüiri por míseros dez reais (na Saraiva, por exemplo, custa R$ 39,90). Já em meados de 2007, encomendei, pelo Submarino, o dvd Live in Brazil - gravado em 1963, em São Paulo, na comemoração de seus 33 anos -, pela justa quantia de R$ 52,90. E é evidente que pretendo evoluir com o pequeno e irrisório acervo.
Eu, na condição de pessoa normal, tolero discordâncias, questionamentos, caras de espanto etc. Atualmente, não proibo ou censuro tipo algum de gosto musical e/ou predileções bizarras - tal fato possibilitou, de uns tempos para cá, laços sociais mais retilíneos e continuativos com pessoas que pouco tem a ver comigo. Mas às vezes alguns extrapolam e acabam fazendo perguntas que apenas as suas respectivas mães merecem ouvir. "Por que você gosta disso? É música de velho, cara", perguntou dia desses um boçal semi-conhecido. Ora bolas, cara pálida! Nos dias de hoje, está cada vez mais sólida a idéia do "fora de moda", da "anti-tendência", cujo discurso é taxativo, capaz de bestializar os consumidores de cultura e, mais especificamente, de música. Portanto, qualquer referência musical que não esteja na playlist de 90% dos imbecis - que respiram o pouco oxigênio que nos resta - estará descontextualizada.
Além do mais, a involução da black music norte-americana - vide frentes deste hip hop enlatado, que é tão pé no saco quanto Pepê e Neném - têm uma efetiva parcela de culpa. Por exemplo, compare a música popular americana na época do Newport Festival, de 1959, com o Video Music Awards, de 2007 (alguém ainda fará uma tese de mestrado ou uma simples monografia sobre isso). O retrocesso é gritante. As músicas eram minuciosamente construídas, repletas de simbolismos que só foram decodificados muitos anos depois, com swing e síncope necessários para ficar no topo da Billboard por, no mínimo, 50 anos. Durante toda a sua carreira, Ray Charles cantou quase tudo o que viveu. A infância pobre, a deficiência visual, a sensação de deslumbre com o sucesso, as várias mulheres, as várias aplicações de heroína, a segregação racial das cidades do Sul dos Estados Unidos, o status de cidadão nongrato na Georgia, a reabilitação e a volta por cima. Tudo foi documentado através de músicas excepcionais, que estão muito além da concepção mercadológica e da indústria fonográfica.
Desconhecer o legado musical de Ray Charles deveria constar no código penal. Ou então ser pré-requisito para registros em cartório. É certo que questionamentos bestiais e taxações desnecessárias sobre música constarão, em uma próxima existência, na lista de proibições do Alcorão. Com direito a chicotadas e apedrejamento em praça pública.
ouvindo: ray charles - hey, good lookin'Marcadores: blues, música boa, ray charles, soul |
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postado por Hanrrikson de Andrade
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8.1.08
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A vida e obra de Mosquito Louis - Capítulo II
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| Janeiro 06, 2008 |
Ao se retirar, Gorki não pensou duas vezes. Dirigiu-se à Praça das Andorinhas Peludas, esquina com a Avenida Conrado LuaLua, para um de seus afazeres prediletos: comentar os novos acontecimentos da vizinhança. O ponto de encontro era o botequim de Armando Quintanilha, que, além de proprietário do referido estabelecimento, também era o bicheiro oficial da região. Ansiosa pela gratuita destilação de veneno, a hipocondríaca Gorki mal teve paciência para esperar o elevador. Lançou-se às escadas sem maiores preocupações, em uma velocidade definitivamente incomum para uma senhora de 64 anos. Quando chegou ao hall, parou e descansou. Ofegante, lutando para respirar, caminhou lentamente até a caixa de correio (todo mês, ela recebia algo em torno de onze ou doze caixas com amostras grátis dos grandes nomes da indústria farmacêutica). Ficou decepcionada ao ver que a Roche não lhe enviara mais caixas de Lexotan. Mas tudo bem. O porvir daquela tarde seria a mais eficaz e motivante medicação que Gorki poderia desejar. E, o melhor - sem receitas, sem contra-indicações.
Chegando próximo ao local, caiu em si e viu que estava atrasada. "Mas que merda!", pensou. Esse tipo de descuido poderia fazer com que outra fofoqueira desse o excepcional furo de reportagem. Entrou em pânico quando, ainda na banca de jornal do Barba, do outro lado da rua, avistou Dona Samantha, Dona Mirtes e Dona Terezinha da Perna Fina a postos no Botequim do Quintanilha, todas rindo, cochichando deliberadamente. Quis chorar nesta hora, mas terminou por levantar a cabeça, empinar o nariz, respirar fundo e caminhar ao encontro das companheiras de fofoca. O sopro de coragem, porém, não durou muito e Gorki deu uma leve tropeçada no momento em que Mirtes acenou com a mão. E só não veio a tropeçar efetivamente porque, quando se deu conta, já estava na porta do botequim.
Samantha, de 69 anos, Mirtes, 63, e Terezinha da Perna Fina, 67, eram as famigeradas broacas da cidade. Não casaram, não engravidaram, nunca bebiam ou colocavam um cigarro na boca, tampouco se masturbavam ou tinham concepções sexuais mais modernas. As três irmãs viviam a base de missa e fofoca, novelas mexicanas e vitamina de graviola, cachorros e gatos andando pela casa e o sonho de conhecer a cidade de Jerusalém. A última a ter um namorado (ou algo que o valha) foi a caçula Mirtes, isto quando tinha 25 anos de idade. Mas seus planos foram interrompidos por uma tragédia sem precedentes - o rapaz era um famoso austronauta, que morreu em um acidente na antiga base espacial da cidade. Já Samantha e Terezinha chegaram a noivar na época de mocidade. Mas o empecilho-mor para a evolução das respectivas vidas sentimentais sempre esteve agregado às restrições no âmbito sexual, isto é, nenhum homem da cidade cogitava a possibilidade de se envolver com as irmãs-calcinha-de-ferro, como eram conhecidas na época.
Gorki adentrou o botequim com um leve sorriso no rosto, um pouco trêmula e com um receio colossal de que a concorrência estivesse à frente no episódio da gravidez de Conceição. Sentou-se ao lado de Mirtes, que, ao observar a tensão da colega de fofoca, foi tomada por uma eminente curiosidade.
- Gorki, aconteceu alguma coisa? Você está pálida, ofegante e visivelmente preocupada. O que houve, querida? - perguntou Mirtes, que esperava ansiosamente pela porção de salame pedida há pouco mais de quinze minutos.
Samantha e Terezinha da Perna Fina, atentadas para o detalhe, cruzaram olhares arregalados. Gorki se manteve em silêncio por alguns segundos, respirou fundo e, finalmente, colocou em prática a sua infindável estrategema.
- Estou preocupada, muito preocupada. Acabo de voltar da casa da Conceição, que deu à luz a um pobre menino, a quem muito temo por seu futuro. Filho de uma prostituta com açougueiro, vê se pode! - disse a hipocondríaca, feliz por esbaforir toda a carga de informação obtida naquele dia.
As amigas não acreditaram, a priori. Ficaram estupefatas com a notícia, que as deixou sem palavras. O silêncio só foi interrompido pelo garçom Salgado, que finalmente serviu a porção de salame. Ele, já acostumado com a diária troca de informações sobre a vida alheia, limitou-se a pedir desculpas pelo atraso, alegando que a cozinha passava por algumas reformas (em virtude de problemas recentes com a Vigilância Sanitária).
Aliás, fora Salgado o responsável por atribuir a palavra Gorki - cujo significado, em russo, quer dizer amargo, intragável - àquela senhora de nome e origem desconhecida. Durante o tempo em que desempenhou a função de guarda noturno, ele encontrara vários indigentes vagando pelas ruas, dentre os quais estava uma senhora relativamente bem cuidada, com uma mala em uma das mãos, e uma expressão de tristeza e abandono. Comovido, prontificou-se a ajudá-la, e terminou por encontrar um pedaço de papel contendo o endereço do prédio Lisandro Vega, quarto andar, apartamento 409. Quando lá chegou, verificou que o apartamento, antes abandonado, tinha sido cuidadosamente reformado e mobiliado a fim de receber aquela senhora. Não interessado em buscar maiores explicações, isto é, rejeitando a idéia de participar de uma possível intriga internacional (quando não estava trabalhando, passava dia e noite assistindo aos filmes do Hitchcock), deixou-a lá, sentada em um confortável sofá GiroFlex.
Gorki, feliz com o triunfo, contou então todos os detalhes do nascimento de Mosquito. Obviamente, não poupou elogios a si mesma por ter socorrido Conceição e chamado providencialmente o macumbeiro Hilbert. Relatou todo o comportamento de León, inclusive, incluindo uma série de previsões apocalípticas quanto ao futuro do casal. Criticou também o vizinho Matías, a quem chamou de "baitolinha". Tanto veneno fez até mesmo com que as amigas e concorrentes de fofoca, já acostumadas com a maledicência do ofício, distribuíssem sorrisos indissolúveis.
Continua...
ouvindo: ella fitzgeral, billie holiday e carmen mcrae - too close for comfort |
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postado por Hanrrikson de Andrade
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6.1.08
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A vida e obra de Mosquito Louis - Capítulo I
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| Janeiro 04, 2008 |
Ele nasceu em meio a polêmica, que se espalhou rapidamente pelo prédio Marechal Lisandro Vega, cuja localização se dá entre o prostíbulo e o açougue. Ninguém se preocupou em dar as boas vindas - o faça-se honras - ao fruto do cruzamento entre Conceição Mantorras e León do Espírito Santo, prostituta e açougueiro, respectivamente. A parteira oficial da cidade estava de greve, e, o pior, fizera a cabeça de todas as outras parteiras, que aderiram à sua causa (reinvidicava carteira assinada e pagamento de extras em caso de gestações complicadas). Desta forma, viera ao Mundo pelas mãos do macumbeiro Hilbert, chamado às pressas por uma vizinha hipocondríaca de Conceição. Ninguém, nem no prédio, nem na cidade, sabia o nome verdadeiro da hipocondríaca. Assim, nomearam-a Gorki (explicações nos próximos capítulos). Não pense você que, pelo fato de ter socorrido a vizinha grávida, a hipocondríaca Gorki era uma boa pessoa. Todo o quiprocó em torno do relacionamento entre Léon e Conceição fora de responsabilidade desta senhora - desde o domingo da promoção no açougue, dia em que se conheceram (o quilo da maminha custava apenas cinco pratas) até a noite romântica no drive-in (várias juras de amor, embaladas por Lionel Richie no toca-fitas, foram feitas naquela Maverick GT76).
O ser recém-parido, de nome Mosquito Louis, não chorou ao ter sua primeira visão panorâmica de mundo. E não foi por falta de insistência do macumbeiro Hilbert, cuja alcunha era "O matador de bodes". A bunda da criança fora esbofeteada com veemência, virilidade e uma espécie de comprometimento profissional, o mesmo que lhe rendeu um status nongrato na sociedade defensora dos animais. A improvisação foi tamanha que o corte do cordão umbilical fora feito com o canivete de bolso do vizinho gay Matias Bocanegra, que se derreteu em lágrimas durante todo o parimento - León chegou a pensar na possibilidade de ir ao açougue buscar suas discretas ferramentas de trabalho, mas não havia tempo hábil. Poucos acreditavam no sucesso da gestação, a começar por León. Enquanto os uivos de Conceição ecoavam pelo interior do ajaezado apartamento de quarto, sala, cozinha e banheiro, o mal humorado açougueiro, tomado pelo arrependimento, proferia maldições contra todos os que ali estavam.
Após o nascimento, Gorki parabenizou a mais nova mãe da cidade e se retirou, deixando para trás um forte aroma de cinismo e maledicência. Já Matías deu um forte aperto nas bochechas da criança e também voltou para sua residência. León, mais calmo, sentou-se ao lado de Conceição e fez carinho em sua cabeça. Depois, olhou para Mosquito e disse:
- Não se parece muito comigo, mas quem se importa? Daqui há alguns anos, vai ser o melhor açougueiro que esta cidade já viu.
Conceição franziu as sobrancelhas e sorriu, debochando do comentário.
O macumbeiro Hilbert foi o último a deixar a casa, mas não antes de dar sua "benção". Procurou por ervas em todos os cantos, mas o máximo que encontrou foi um molho de alface, que estava há uns três meses na geladeira. Cumprido o ritual do esbofeteamento sagrado, o macumbeiro despediu-se dos pais e improvisou um desfecho profético para a epopéia cirúrgica.
- Este menino foi enviado por Didier, o Todo Poderoso, e será uma luz para a vida do casal. Que esta criança cresça de forma saudável e pródiga. Decerto, a harmonia vai imperar neste lar e o valor da família será lembrado para sempre como primordial e inviolável.
Duas semanas depois, Conceição deixou o lar por conta das sucessivas brigas com León. Ela levou Mosquito para a casa da mãe, que ficava há dois quarteirões do prostíbulo, e, assim, o visitava todas as noites (por volta das sete ou oito horas, sempre antes do início do expediente). O pai, amargurado, resolveu se dedicar única e exclusivamente ao seu ofício na tentativa de apagar os acontecimentos da memória. Então, criou o primeiro açougue 24 horas da cidade, tendo, inclusive, entrega a domicílio. Ele culpou o filho pelo fracasso do relacionamento conjugal e jurou para si mesmo que nunca mais o veria.
Continua...
ouvindo: the shins - pressed in a book |
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postado por Hanrrikson de Andrade
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4.1.08
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Começamos bem! Confira o top 5 "mortes do Réveillon"
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| Janeiro 02, 2008 |
A virada de ano, "popularmente" conhecida como Réveillon, é uma data especial para quase todos os indivíduos. Nesta época, nos preocupamos efetivamente com trocentas coisas que podem ou não acontecer, e, além disso, refletimos a respeito das outras que já aconteceram. Quer você queira, quer não, acaba se contagiando com o irritante clima de otimismo que transborda pelos quatros do mundo. Este sopro instantâneo de boas-coisas-virão vem acompanhado, claro, de algumas expectativas previamente determinadas, como a reunião familiar, a badalação noturna, o encontro com os amigos etc, etc.
São caminhões de planos, expectativas, frustrações e tudo o mais. Alguns chegam até a fazer listas, que podem ser "Os melhores e piores do ano velho" ou "Os principais planos para o ano novo". Tem gente que vai além e seleciona "Os foras mais dolorosos do ano velho", "As pessoas que eu quero pegar no próximo ano" ou até mesmo "As pessoas que devem morrer no próximo ano", o que é uma forma bacana de se registrar ódio por alguém. Eu, pelo menos, não ousaria discordar dessa tese.
Mas para algumas pessoas, a virada de 2007 para 2008 foi, digamos, inesperada - e olha que elas, certamente, não integravam listas de possíveis óbitos para 2008. E não é sadismo algum da minha parte, afinal, ninguém espera morrer (ou quase isso) nos minutos que antecedem a festa do Réveillon, certo? Infelizmente, a tragédia rolou por todo o Brasil e sob as mais variadas formas. Eu, como também gosto de fazer listas, resolvi selecionar os cinco episódios trágicos que marcaram o nosso tão festivo Réveillon. Confira abaixo.
1) Idosa de 79 anos morre atingida por fogos de artifícios no Rio Grande do Sul
Yara Therezinha Gonçalves Ramos, de 79 anos, morreu na noite do dia 31 de dezembro ao ser atingida, na cabeça, por fogos de artifício. Ela comemorava a passagem de ano junto com a família no jardim de sua casa em Embé, no litoral do Rio Grande do Sul. Provavelmente, algum vizinho bêbado fora o responsável pela tragédia. A pobre senhora não resistiu e morreu a caminho do hospital.
2) Lavrador morre após briga no interior de São Paulo
A pequena cidade de São José da Bela Vista, na região de Franca, São Paulo, nunca mais será a mesma. O lavrador Jorge Henrique da Silva Paim, de 19 anos, teve o seu pescoço cortado com pedaços de uma garrafa após briga ocorrida na Praça da Igreja Matriz, local em que os provincianos comemoravam o virada do ano. O rapaz morreu a caminho do hospital e o autor do crime ainda não fora encontrado pela polícia.
3) Réveillon caipira registra duas mortes por esfaqueamento
Todo mundo sabe que no interior de algumas cidades brasileiras as brigas são resolvidas na base da peixeira (ou "facão", se você preferir). E as comemorações da passagem de ano foram o palco sangrento para duas mortes por esfaqueamento no interior de Minas Gerais. Na cidade de Elói Mendes, um agricultor foi esfaqueado após uma briga na praça central da cidade. Ele morreu no local. O autor do crime não foi preso. Já em Passos, uma briga em família causou a morte de Marcos Vinícius de Oliveira, também esfaqueado. O padrasto do rapaz, Darcílio de Souza, que estava dentro da casa com um ferimento no abdômen, é o principal suspeito do crime. Ele foi internado e não corre risco de morte.
4) Jovens exageram na bebida e morrem afogados durante comemorações do Reveillon
O possível abuso de bebida alcoolica foi fatal para os amigos Walisson Souza e Adelásio Candido Batista. Por volta das duas horas da manhã, os rapazes, que comemoravam de forma empolgada a virada do ano, resolveram andar de pedalinho no lago de Furnas, em Minas Gerais. O veículo virou e os dois jovens morreram afogados. Eles estavam na companhia do amigo Estanley Silva Bandão, que conseguiu nadar até a margem do lago. Os bombeiros encontraram o corpo dos jovens na manhã do dia 1° de janeiro.
5) Estudante de 20 anos morre atingida por bala perdida no Réveillon
A estudante Dalva da Rosa Gonçalves, de 20 anos, morreu após ser antigida por uma bala perdida enquanto jantava - "comemorando" a passagem de ano, obviamente - com o namorado, no Rio Grande do Sul. O disparo teria sido feito por um vizinho que "comemorava" a virada do ano.
Mais tragédia Alguns outros episódios merecem menção. No Rio de Janeiro, por exemplo, o famigerado Reveillon nas praias da Zona Sul contabilizou seis casos de balas perdidas. Um deles foi o de Elias Gabriel Batista da Silva, 29 anos, que foi atingido no Posto 9, na Praia de Ipanema. O rapaz morreu na manhã desta terça-feira no Hospital Miguel Couto. As primeiras informações dão conta de que o jovem teria se envolvido em uma briga. E o que dizer de Cristina Osama Monteiro, de 35 anos, que durante as comemorações acabou caindo da varanda de seu apartamento, em Copacabana, e morreu após ter traumatismo craniano? Ela chegou a ser levada para o Miguel Couto, mas não resistiu aos ferimentos. O acidente aconteceu por volta das 2 horas do dia 1° de janeiro.
Maldita retenção Aliás, quem conhece o Rio de Janeiro e transita pelo Alto da Boa Vista sabe que uma das coisas mais irritantes por ali é a retenção do sinal na Rua Édson Passos, logo na subida. E foi justamente a maldita retenção de sinal que possibilitou o assalto ao médico Lydio Toledo Júnior, de 35 anos, filho do ex-médico da Seleção Brasileira Lydio Toledo. Ele e a mulher, que se dirigiam à Barra da Tijuca, por volta das 23 horas, foram atingidos por três tiros cada. Ambos estão no hospital, em estado crítico.
Violência caipira O interior de Minas Gerais ainda teve mais duas outras tragédias. Em Alpinópolis, Gildávio Santiago Nascimento foi atingido por um tiro após uma briga numa danceteria e morreu no hospital. Três suspeitos estão foragidos. Já em Campo Belo, uma briga generalizada fez um rapaz atirar contra a cabeça de um adolescente de 16 anos, que morreu na hora. O suspeito ainda não foi encontrado.
Bom, se você comemorou o Réveillon na rua e conseguiu chegar vivo em casa, considere este o seu primeiro grande sucesso de 2008. E torça, claro, para que você não integre a lista de "possíveis óbitos do próximo ano" de filho da puta algum.
Enfim, felicidades.
ouvindo: ella fitzgerald, billie holiday e carmen mcrae - i got it bad (and that ain't good) |
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postado por Hanrrikson de Andrade
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2.1.08
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