HOME  |  CONTATO  |  RSS  |  FEED XML
CRONOLOGIA TEXTOS MEMORÁVEIS
 A maldição da Tekpix
@ Hanrrikson de Andrade
NO RIO DE JANEIRO
Dezembro 30, 2008
COMPARTILHAR | IMPRIMIR

Há cinco anos, Marcel largou uma vida pacata no interior do Paraná em busca de um sonho: produzir road movies. Antes de partir, vendeu a televisão da mãe (uma Telefunken da década de 80) e a torradeira da avó para adquirir a handcam da Tecnomania, conhecida como Tekpix, frequentemente anunciada em programas de fofoca veiculados por algumas emissoras de televisão, principalmente no período vespertino. Começou a filmar já na rodoviária de Maringá, em direção à Curitiba, mas se deu conta de que não conseguiria histórias suficientemente relevantes a bordo de um ônibus comum. Resolveu, então, que iria até São Paulo por meio de carona.

Pegou a BR-116 às seis e meia da manhã de uma quinta-feira, na caçamba da caminhonete de um homem que se identificou como Jacinto, 39 anos, agricultor. Visionário, aceitou prontamente ceder a carona em troca de uma menção nos créditos do road movie. Marcel filmou incansavelmente, preocupando-se com os planos, com a sequencia de imagens, com o enquadramento e os elementos de cada take. No entanto, já distante de Curitiba e com um lingínquo caminho a percorrer até a capital paulista, a bateria acabou. Era o fim do sonho.

Agradeceu a Jacinto pela prestatividade e iniciou a procura por uma bateria compatível (ou mesmo um recarregador) com a Tekpix no município de Jacupiranga, litoral sul de São Paulo, 217 quilômetros da capital. Porém, não obteve sucesso, pois a última grande descoberta tecnológica em Jacupiranga foi o Tamagoshi. O fim de semana chegou e Marcel, já cansado e desiludido com a possibilidade de dar continuidade ao seu road movie, entregou-se à bebida e à libertinagem.

Gastou naquele sábado praticamente todo o dinheiro que levou, com doses e mais doses de Dreher no Bar do Casemiro, ou mesmo uma incursão libidinosa no Bordel da Tereza Navalha.

Acordou na segunda-feira em um banco da praça que fica de frente para o bordel, maltrapilho, sem a sua mochila e a Tekpix (fora roubado durante a noite, muito provavelmente) e com a sensação de que havia sido pisoteado por uma manada de elefantes indianos. A frustração era tanta que fez Marcel beirar à insanidade e, em vez de pedir ajuda para retornar à Curitiba, preocupou-se apenas em beber e praguejar a Tecnomania.

O rapaz foi apelidado pelos frequentadores do Bar do Casemiro como o Kerouac de Jacupiranga. Atualmente, ele tem 29 anos e transita pelas ruas parcialmente asfaltadas do município, proferindo ofensas desconexas contra a Tekpix. Seu sonho é voltar para o Paraná e comprar uma Sony Mini-DV DCRHC52.

Marcadores: , ,

 
     Bookmark and Share    publicado por AFORISMO.NET  @ 30.12.08   0 comentário(s)
0 Comentários:

Postar um comentário

<< Voltar para a página principal
...textos memoráveis
...vida boêmia
...análises pontuais
...entradas recentes

Paulo Francis comenta a Missa do Galo

Um dia ruim.

CONTAGEM REGRESSIVA: Radiohead no Brasil em março ...

Barack Obama: o homem que transformou a desconfian...

Paes nem assumiu e já descumpriu três promessas de...

Quando a arte não deve imitar a vida

[Curtas] O desafinado e o diferencial

Crônica pós-balada - Baseada em fatos reais

O blogueiro tipicamente brasileiro

Em geral, mulher argentina é chave de cadeia

...jogos em tempo real
...o que é isso?
...twitter
...+web
..PODCAST
..ARTIGOS
..ORKUT
..TWITTER
..GREADER
..GBUZZ
..LAST.FM
..WIKINEWS
..WIKIPÉDIA
..MINHA NOTÍCIA
..BLIP.FM
..MY SPACE
..MOVIEMOBZ
..DELICIOUS
..FACEBOOK
..FLICKR
..DIGG
...contato
..EMAIL
..MSN
..GTALK
..SKYPE
...arquivo

...blog'n'roll

...links