A questão do anti-tabagismo |
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Pensemos a questão do anti-tabagismo, que, nos últimos tempos, tem se consolidado como um traço de chatisse da humanidade, ou melhor, de boa parte dela. Recentemente, tenho observado um aumento assustador do número de anti-tabagistas ou pseudo-anti-tabagistas. Estes indivíduos pedantes estão presentes em todos os cantos, meios, ambientes, lugares, enfim. Não estão mais restritos aos centros gastronômicos, nem às filas de banco. Eles, os que "abominam o cigarro" - que o Wikipedia, em breve, denotará como "Pessoa especializada na arte da inconveniência, cuja funcionalidade básica consiste em pentelhar o saco e esbaforir uma série de princípios ignóbeis, falsos, desnecessários" - superaram os grilhos espaciais e temporais.
Bauman diria que os anti-tabagistas de hoje vivem sob processo de "liqüefação", isto é, tornam-se, dia após dia, mais livres e integrados. A causa não pode ser entendida com exatidão, obviamente, até porque estamos lidando com um grau indefinido de subjetividade. Mas eu me nego a acreditar que estas idiotas campanhas feitas pelo Ministério da Saúde tiveram algum êxito ou contribuíram para alguma coisa, mesmo que minimamente. Está certo que os anti-tabagistas possuem uma espécie de "doença mental", ou, sei lá, talvez algo de caráter cromossômico. Mas nem o mais debilitado sofreria qualquer tipo de influência com as campanhas do Ministério da Saúde.
De qualquer forma, o anti-tabagismo é como uma praga, que, infelizmente, nunca será exterminada. É como a idéia de Céu e Inferno. O "Inferno" só existe - e a ele são agregados valores potencialmente ruins - por conta dos hipotéticos benefícios que um indivíduo encontraria no "Céu" - mas que também seria entediante e motivador de ócio. O cigarro pode ser ruim a longo prazo, concordo, mas é uma espécie de mal necessário. Ele funciona como complemento de praticamente tudo, o que gera benefícios atemporais e sensações instantâneas de bem-estar. Ruim com ele, mas muito pior sem.
Qualquer fumante, desde que não por modismo, é capaz de entender o raciocínio. Já para quem é anti-tabagista - o que demanda uma capacidade limitada de raciocínio -, deixar de fumar é quase como se curar de um câncer. Se você analisar isto no seu dia-a-dia, observará a existência de pelos menos quatro tipos de anti-tabagistas:
a) o ex-fumante
Um ex-fumante, "convertido" em anti-tabagista, é o tipo de pessoa que pensa que se livrou da morte. Costuma proferir um sem número de baboseiras do tipo "Felizmente me livrei desse vício. Faça o mesmo" ou então "Você não sabe como sou um ser humano melhor agora". Como se parar de fumar lhe conferisse uma patente a mais como pessoa e duas a mais como debilóide.
b) o que nunca fumou
Esses são os piores. Nunca colocaram um cigarro na boca e se acham no direito de condenar o tabagismo através da máscara de "fumante passivo". São, no geral, pessoas com tendência à falsidade. Muito cuidado com elas.
c) o afrescalhado
Independentemente de ter fumado ou não, existem os indivíduos que resolveram rotular o cigarro como "incômodo" em potencial. São aquelas pessoas que falam coisas do tipo "Você fumou? Esse cheiro tá me sufocando" ou "Nossa, que cheiro de cigarro insuportável... Quem estava fumando?". No geral, são pessoas extremamente repetitivas, traço ainda mais evidente do espírito "pé-no-saquista" da coisa. Reclamam dez, onze, doze vezes por dia. Basta sentir o cheiro.
d) o saúde acima de tudo
Defendem a questão da "boa saúde" e dos hábitos saudáveis. São indivíduos fadados à chatisse, isto é, não há chance de recuperação. O discurso é quase sempre o mesmo: "Você conhece os prejuízos do cigarro? Você corre risco de ter câncer de pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, intestino grosso, intestino delgado, mitocôndrias, membranas plasmáticas, clorofilas e por aí vai". Se você for novo, ainda te ameaçam de morte precoce. "Você está jogando a sua vida fora... Tem só X anos". Elas cuidam tanto da saúde que vão acabar morrendo atropeladas.
Como dizia Woody Allen,
"O mundo se divide em pessoas boas e pessoas más. As pessoas boas têm um sono tranquilo. As pessoas más se divertem muito mais".
ouvindo: solomon burke - none of us are free |
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publicado por AFORISMO.NET @ 30.12.07
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