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CRONOLOGIA TEXTOS MEMORÁVEIS
 Pra ninguém botar defeito
@ Hanrrikson de Andrade
NO RIO DE JANEIRO
Outubro 28, 2007
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Eles não nasceram para 'salvar' o rock. Fazem o simples, usam e abusam das distorções de guitarra e contam com o vocal entusiástico do jovem Alex Turner. Assim, conseguem provocar um hiperestímulo dançante, que surge naturalmente à medida em que as pessoas são contagiadas (funciona como um mecanismo de coerção, ou seja, você é inclinado a mexer os pés). A empolgação do público, que deu de ombros para a chuva e compareceu em massa à Marina da Glória (excetuando-se aqueles que não conseguiram chegar por conta do trânsito caótico), foi a principal marca da apresentação dos ingleses do Arctic Monkeys na madrugada deste sábado, na edição carioca do Tim Festival. Foram 20 músicas, dos álbuns "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not" e "Favourite Worst Nightmare", tocadas intensamente, com contínua energia.

Durante cerca de uma hora e meia, a banda fez da tenda "Novo Rock UK" a atração principal do evento, que no mesmo dia teve nomes de peso como Björk e Cat Power (aliás, uma pena não ter conseguido comprar ingresso para estas duas apresentações, principalmente a da Cat Power. Embora não seja um grande fã da Björk, a respeito como artista e é um daqueles shows que não vão acontecer por aqui tão cedo. Já Chan Marshall, que decepcionou em sua primeira e rápida apresentação no Brasil, esteve sensacional e emocionou o público. Uma pena).

O setlist contou com os grandes sucessos "I Bet You Look Good on the Dancefloor", "Fake Tales of San Francisco" e "Flourescent Adolescent". Nos intervalos entre uma música e outra, o entusiamo dos fãs era colocado para fora através de gritos e pedidos de músicas. "Nunca vi um show em que as pessoas pulam tanto", pensei. Esta sensação foi captada não só por aqueles que estavam próximos ao palco (em meio à um calor absurdo), como eu, mas como também por todos aqueles que se encontravam confortavelmente acomodados na parte superior.

Quando o show já se encaminhava para o fim, o vocalista Alex Turner resolveu interagir com o público. "E aí, todos estão se divertindo?", perguntou ele (aliás, esta foi talvez a única demonstração de interatividade da banda com o público. Os quatro músicos, apesar de jovens, são ininterruptamente centrados em tocar as músicas da melhor maneira possível). A canção que encerrou o show foi "A Certain Romance", que, por sinal, traduz perfeitamente a faceta "balada" da banda. Ao meu lado, por exemplo, estava um casal adolescente animadíssimo, que se beijou durante toda a música. Prova de que Arctic Monkeys é uma boa pedida para qualquer ocasião.


HOT CHIP

Assim como o Brasil produz anualmente um número incalculável de bons jogadores de futebol, a Inglaterra tem por tradição revelar bandas promissoras e tal. A par disso, torna-se imperdoável o convite ao Hot Chip, que dizem ser mescla de rock e música eletrônica. Pois ficou só no "dizem". O quinteto londrino é fraco no que se propõe a fazer e está longe de atingir o tal "rock dançante", algo como Klaxons, talvez.

A única música capaz de fazer com que você preste atenção é "Over and Over", que, por sinal, é o hit da banda. Com tantas bandas boas espalhadas pela Inglaterra, chega a ser tragicômico convidar o Hot Chip para a tenda "Novo Rock UK".


JULIETTE LEWIS AND THE LICKS

O divertidíssimo show da madrugada anterior me fez ir à tenda "Novo Rock US" com boas expectativas. Apesar do arrependimento prévio de ter comprado este ingresso em vez do "Novas Divas", que contou com excelente apresentação da Cat Power e com o Anthony and The Johnsons substituindo a Feist (não pôde vir ao Brasil por conta de problemas de saúde), estava animado e curioso para ver a ex-queridinha de Hollywood Juliette Lewis subir ao palco liderando o Juliette Lewis and The Licks, mesmo que isto ainda significasse ter que aguentar a chatice do The Killers. Uma cara curiosidade, diga-se. Mas e daí?

E daí que ela é uma espécie de projeção feminina frustrada e "em forma" do Axl Rose. Performática, a atriz que já quase ganhou um Oscar parece uma adolescente que se rebelou contra o sistema, fugiu de casa e acha que gritar à frente de uma banda é "a cara dela". O som se aproxima de um hard rock farofa, sem muita autenticidade. Como vocalisa, não compromete. Enfim, todo mundo que foi vê-la a nivel de 'curiosidade', certamente, está arrependido agora.

ouvindo: arctic monkeys - old yellow bricks
 
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 "Você tem direito a 500 caracteres para escrever a sua mini-biografia"
@ Hanrrikson de Andrade
NO RIO DE JANEIRO
Outubro 27, 2007
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Ainda não pensei a respeito, mas dizem por aí que não é e não vai ser fácil definir. Uma espécie de mini-biografia em 500 caracteres é tão irrelevante quanto 500 bolinhos de merda. Aliás, não seriam necessários tantos caracteres. Uns 250 estaria de bom tamanho.

Não acho que alguém no mundo tenha uma vida suficientemente interessante para ser descrita em 500 caracteres. Mas, de qualquer forma, os caracteres estão aí e acho que ainda estou longe de alcançá-los. Portanto, vou falar sobre uma das coisas que, sei lá, gosto.

Outro dia, eu vi um filme muito bom. Chama-se "O Operário" (The Machinist), do Brad Anderson, que seria um daqueles "melhores filmes do século" se tivesse sido feito em um outro momento. Como é contemporâneo, os entendidos de plantão o classificam como "bom", simplesmente. Mas ele é muito mais do que isso.

Na época em que foi lançado, o filme atraiu a atenção dos críticos mais pelo espantoso emagrecimento do Christian Bale, que perdeu aproximadamente 30 quilos em menos de um mês, do que pela história em si. Bale, que já tinha provado ser um ator de primeira linha em Psicopata Americano (American Psycho) - talvez o melhor filme da história do cinema -, interpreta o confuso Trevor Reznik.

O personagem é um operário de uma fábrica americana e trabalha diretamente na força de produção. Reznik sofre de uma insônia quase crônica e está praticamente sem dormir há pouco mais de um ano. Deixa na porta da geladeira pequenos recados para si mesmo, tem visões noturnas e passa a duvidar de sua sanidade quando "conhece" Ivan, seu imaginário colega de trabalho.

Reznik se relaciona com duas mulheres, sendo uma prostituta loira (Stevie), real, da qual é o único cliente gentil e respeitoso, e uma atenciosa garçonete (Marie), "imaginária", que o serve pães de queijo e café diariamente na lanchonete de um aeroporto. A par disso tudo, ele começa a receber visitas de um "fantasma", alguém que entra em seu apartamento sem ele saber e põe um papel com um joguinho de forca na porta da geladeira (substituindo os recados), cujas letras (seis no total) são gradativamente escritas.

Como só ele vê Ivan durante a rotina de trabalho, Reznik passa a achar que alguém o está perseguindo. Enquanto trabalhava, um gesto de Ivan acaba distraindo-o, e isto resulta num acidente, que faz um companheiro de fábrica perder a mão em uma das máquinas. A partir daí, ele entra em uma "crise de identidade" muito bem desenvolvida pelo roteirista Scott Kosar, que posteriormente irá culminar no desfecho da história (e que, decerto, eu não vou contar).

Enfim, "O Operário" é o tipo do filme que merece e deve ser assistido pelo maior número possível de pessoas. Muito melhor do que assistir filmes imbecis e nonsense como "A Fantástica Fábrica de Chocolates" ou, sei lá, "O Senhor dos Anéis".
 
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