nem tem. |
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Silêncio me parece muito agradável às vezes. As pessoas que são menos piores sabem exatamente a hora de se calar. E não forçam nenhum tipo de assunto, agem naturalmente, não encaram o silêncio como uma coisa chata e fatídica (muito pelo contrário). Eu admiro muito as pessoas que são silenciosas na maior parte do tempo. Antigamente eu tinha uma definição fodidamente burra sobre o silêncio. Achava que era o fator que mais se aproximava da sinceridade, pois em silêncio, você é coerente, não tem nada para falar, logo, você se cala. É sinceridade consigo mesmo, por questão de obviedade, e sinceridade para com outras pessoas dependendo do tipo de ação ou reação que elas esperam de você no momento. O silêncio acaba denunciando muitas coisas também para as pessoas que o adotam como método comunicativo. Quando o silêncio é rompido de forma brusca, por exemplo, nota-se claramente que a pessoa que causa tal ruptura provavelmente ultrapassa os limites da simplória impressão de agradabilidade. O silêncio, quando rompido de forma seca, notadamente extrínseco, curto, objetivo, pragmático, acaba por esbaforir a idéia de raiva, de ódio, de indignação ou de uma simples birra até. O silêncio, quando rompido de forma devagar e intrínseca, denuncia timidez e vergonha. Quando rompido de forma abobalhada e desordenado, denuncia ânsia ou expectativa demasiada. O silêncio, muitas vezes, pode ser também efusivamente mais comunicativo do que uma falação inútil contendo um número exorbitante de baboseiras. Talvez até, sei lá, seja exageradamente gauche falar que a comunicação interpessoal às vezes é tão desestimulante que, sem sacanagem, parece futilidade e babaquice. Assim como toda aquela asneira de estrutura social, posições relativas de status, conflitos de papéis e bla bla bla.
concluindo, foda-se. |
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publicado por AFORISMO.NET @ 25.9.05
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potencialmente potássio. |
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o embargo não nos abrange, ainda temos chance de expansão, não é hora pro anímico coração, parar de bater, por mais que o sofrer, seja abrangente, e gradativamente expansivo.
escuto o choro de alguém, o lamento da solidão de outrem, mas 'gauche' ele formou-se, e assim morrerá.
lágrima não é mais seu único recurso hídrico, do seu lado, há um oceano empírico, existe um mar com ondas e até baleias, com peixes elétricos, anêmonas e sereias, sem limites.
mesmo que o sol se esconda, e gotinhas caiam sobre o seu nariz, espere bater a onda, saline o semblante feliz, antes que ele vá embora.
acalme-se, na árvore ainda há um cacho de bananas.
não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não!
idiotice minha.
ouvindo: pavement - fin |
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publicado por AFORISMO.NET @ 22.9.05
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bonito, introspectivo e sonolento. |
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É assim que se pode definir o novo álbum do Los Hermanos, intitulado “4”, apresentando 12 faixas de qualidade musical pouco discutível, mas que ainda peca pela falta de carisma e animação (características que marcaram os dois álbuns anteriores: "Bloco do Eu Sozinho" e "Ventura"). Com exceção de duas ou três faixas, a maior parte das faixas revela uma aproximação da sistemática musical do Los Hermanos com a tonalidade simplista da música popular brasileira. Algumas características a banda carioca fez questão de manter, como o conjunto de palavras e o vocabulário intermusical, que é constante e bem delineado. Outra coisa que chama a atenção nesse novo trabalho é o amadurecimento no que se refere às técnicas sonoras alternativas, dando um toque ainda mais indie. Quem esperava um álbum próximo musicalmente ao Ventura ou ao Bloco do Eu Sozinho, decepcionou-se. “4” não possui tantos hits, nem baladas românticas, nem músicas que agitem e façam com que as massas saiam do chão, mas apresenta uma nova fase na metodologia loshermanista, voltada à reflexão, causada por letras intimistas e melodias introspectivas. É compreensível que inicialmente pareça um tanto quanto sonolento aos fãs, acostumados com a empolgação de músicas como “O Vencedor” e “Retrato pra Iaiá”, mas com o passar do tempo é muito provável que estes mesmos fãs acostumem-se com essa nova prioridade dada pela banda à essência musical e não mais à simples criação de singles para as rádios.
A primeira faixa do álbum é “Dois Barcos”. Tem um som envolvente e é uma das músicas mais bonitas de todo o álbum. Apesar das poucas rimas, a letra é bem construída e a forma lenta na qual o vocalista da banda, Marcelo Camelo, canta, faz com que a música ganhe um aspecto fúnebre e legal de se ouvir. É uma boa música pra ouvir quando se está com insônia.
A segunda faixa é “Primeiro Andar”. Música cantada pelo guitarrista e multi-instrumentista da banda, Rodrigo Amarante, não empolga e nem transmite o belo aspecto triste da primeira faixa. O referencial desta música é a letra, bem construída, que não deixa a música ser considerada chata em demasia. É uma música com melodia simples, nãoo traz experimentalismo musical nem inovação de riffs.
A terceira faixa, “Faz-se Mar”, é uma das músicas do álbum que comprova que os integrantes da banda escutaram bastante música popular brasileira enquanto estiveram trancafiados em Petrópolis para a produção e gravação do álbum. Tanto a letra como a melodia revela a aproximação ainda mais intensa da sistemática musical da banda com a MPB. Vale lembrar que Marcelo Camelo e seus companheiros sempre tiveram admiração pelo som da MPB, especialmente pelo samba, tanto que existem algumas covers de cantores como Belchior (além da composição de músicas como “Cara Valente” para a cantora Maria Rita). “Faz-se Mar” é prova dessa aproximação ainda mais apurada com a MPB.
Há quem goste da quarta faixa, “Paquetá”, e de seu ritmo latino. Particularmente, achei uma música chata e sem uma essência verdadeira. Talvez os pescadores no Caribe tenham gostado.
Assim como “Dois Barcos”, a quinta faixa, “Os Pássaros” define bem a linha melancólica e introspectiva do álbum. Essa faixa, que tem uma letra realmente bonita, é a típica música para ser ouvida num domingo à tarde, antes de você começar a pensar nas tarefas da segunda-feira. É pra apagar a luz do quarto, deitar na cama, e escutar de olhos fechados. Talvez, você durma. Mas se não dormir, perceberá a notável semelhança com algumas músicas do Radiohead.
A sexta faixa, “Morena”, é uma das poucas faixas (talvez a única) que faça com que você se lembre dos dois álbuns anteriores do Los Hermanos.
A sétima faixa foi a música escolhida como single inicial do álbum. E com justiça. “O Vento” é uma música divertida, com uma letra fácil de memorizar (apesar de ‘eu pensei que quando eu morrer’ soar de forma estranha) e tem tudo para agradar a crítica e aos fãs. Seguindo a linha de “O Vencedor”, a música toca constantemente nas rádios e deve em pouco tempo virar hit.
A oitava e a nona faixa, “Horizonte Distante” e “Condicional”, são com certeza as músicas mais empolgantes do álbum. “Horizonte Distante” tem uma letra bonita e envolvente ao mesmo tempo e é outra que tem tudo para virar hit na hora em que for descoberta pelas rádios. Já “Condicional” deverá ser aquela música de qualidade que não tem o reconhecimento devido. É, certamente, a música mais criativa e empolgante. Contrasta com o resto do álbum.
Apesar de poucas pessoas terem gostado da décima faixa, “Sapato Novo”, eu achei a letra bem interessante, e que fica bonita cantada na voz do Camelo. Também segue a linha de músicas próximas ao som da MPB.
“Pois É”, a décima primeira faixa, mostra-se uma música meio sonolenta, mas se você não dormir enquanto escuta perceberá que ela tem sua beleza na doce melodia que apresenta. Não está entre as melhores do álbum, mas tem qualidade.
A música que encerra o álbum, “É de Lágrima”, é potencialmente a mais chata e blasé. Começa chata e termina chata. Tocada ao vivo, é ainda mais chata. É capaz de provocar muitos bocejos.
ouvindo: of montreal – oslo in the summertime |
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publicado por AFORISMO.NET @ 17.9.05
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...textos
memoráveis |
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...vida
boêmia |
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...análises
pontuais |
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...jogos em tempo real |
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