Eu jamais serei um servidor público |
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Cara, eu cheguei a seguinte conclusão: EU SOU UM ESCRITOR DE MERDA. Meus escritos são tão assim desprezíveis que a falta de qualidade contida neles acaba me deprimindo. Mas com certeza, eu não vou virar um novo Hitler (isso está totalmente fora de cogitação), que depois de se conscientizar que não sabia pintar, que era um bosta fracassado para a arte, decidiu criar um império em torno de uma só estética. A variação estética ainda me agrada – e eu agradeço aos deuses da arte por isso – mas fica cada vez mais difícil aceitar a idéia de que o meu provável destino seja mesmo ocupar um fatídico cargo de servidor público; e destino pior não pode haver. Talvez a culpa seja do meu perfeccionismo exacerbado que não me permite trocar uma vírgula sequer daquilo que escrevo. Talvez isso seja apenas um pessimismo e um derrotismo inócuo, falso, falaz, só pra idéia da aceitação e da qualidade textual ter um gostinho especial. Talvez, talvez... Meus desejos e minhas vontades não me parecem muito realistas não. Quando eu vi as declarações desse tal de Severino, esse filho da puta aí que ganhou as eleições para a presidência da câmara, a minha vontade, por exemplo, foi de ter uma coluna política num grande jornal de âmbito nacional e poder descer a lenha nesse idiota. Mas eu sei que isso é praticamente impossível e que isso não passa de mais um sonho pós-adolescente desse aqui que vos escreve. Mas a minha vontade é muito variável; hoje, por exemplo, eu já queria ter uma coluna em alguma fanzine independente, sem muita repercussão geral, algo mais direcionado a um certo tipo de público e crítica, e poder comentar os cinco melhores álbuns de música alternativa do ano. Ao mesmo tempo em que eu detesto qualquer tipo de rótulo que venham a atribuir ao meu estilo ou a minha forma, eu sei que dependeria deles para ter algum tipo de espaço. É aquele eterno dilema: Voltar-se contra a mídia, já é por si só, um tipo de mídia. O que muda é apenas a pele, a skin, as vestes, a máscara. A essência continua sendo a mesma. E isso me deixa muito descrente e pessimista em relação ao nosso pensamento cultural.
A propósito, você pode conferir se eu sou uma merda de escritor ou não. Estão no ar o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto episódio do conto ‘Na tentativa de escrever literatura pop’.
ouvindo: at the drive-in - alpha centauri |
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publicado por AFORISMO.NET @ 25.2.05
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Na tentativa de escrever literatura pop |
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Este blog ganhou uma nova seção, chamada 'Na tentativa de escrever literatura pop'. Eu não sei com que constância vou escrever os textos relacionados a esta, portanto, não me venham com cobranças. Você pode vê-la, clicando aqui. Abaixo está um pequeno trecho do primeiro episódio.
"Então eu arrisquei passos tímidos, enquanto Sarah se remexia para todas as direções em espaços mínimos de milésimos de segundo. A música trazia em si algo de psicodélico, era doidivano, batia forte, acelerado, e as pessoas acompanhavam com movimentos desordenados. Eu me senti como em um videogame".
ouvindo: mae - soundtrack for our movie |
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publicado por AFORISMO.NET @ 11.2.05
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considerações e top five de carnaval...! |
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Mais um carnaval. A mesma palhaçada, a mesma historinha, as mesmas pessoas, os mesmos peitos, as mesmas bundas. Os anos se passam e a cretinice desse largo período festivo do mês de fevereiro não muda. Este ano, além dos muitos milhões de reais como investimento, fez-se também, por parte da mídia, um grande esforço em focalizar a eventual importância de tanta festa na questão cultural da coisa. Mas não há jeito. A importância do carnaval concentra-se realmente na grande putaria generalizada que o mesmo representa. Afinal, se assim não proceder, o grande aparelho carnavalesco de geração dos pornodólares não vai funcionar. E se assim não funcionar, nada de panamericano em 2007. É muito claro o plano de importância na qual o carnaval foi submetido. O povo se diverte ao redor de sua própria ignorância, as prefeituras enchem o bolso, o país se enche de gringos, enquanto a cultura escorre pelo ralo. E cai exatamente num esgoto a céu aberto.
Não que a putaria não seja legal, aliás, ela é muito bacana quando praticada assim logo no início do ano. Mas o problema é que não se vive só da putaria. E a putaria, em si, perde a graça a partir do momento que vira simplesmente um método rentável para justamente aqueles que não participam dessa putaria. É como sentir-se uma marionete em meio à torcida do flamengo inteira transando uns com os outros. E você também deseja aquilo, mas sabe que alguém está por trás de você, fotografando o seu rabo, analisando, comentando, transmitindo ao vivo para todo o Brasil e ganhando uma fortuna com o seu pobre e inocente rabicó.
Eu acho mesmo é que deveria ser feita uma campanha pregando o sexo livre e desimpedido no carnaval. Um sexo sem culpa, sem ninguém te filmando e fotografando por trás, sem ninguém ganhando dinheiro com o seu rabo. Concordo que muitas pessoas unem o útil ao agradável e aproveitam a oportunidade para ganhar seus 15 minutos e 14 segundos de fama. Mas que elas se fodam. Eu me refiro à nata do povão. Já pensou todo mundo fudendo numa grande orgia generalizada por todo o país? Ora ora, a "cruzada do sexo". Da região Norte à região Sul, todos fudendo. Pobres e castas moçoilas de família em um sexo selvagem com os negrões das favelas. Aquelas top models magrelas e raquíticas transando por horas com índios rústicos e que expelem espasmos inaudíveis. Claro, com pelo menos quatro camisinhas por cada foda. Eu não arriscaria com uma só.
Mas voltando ao lado menos utópico do carnaval, eu realmente gostaria de entender, gostaria mesmo, como as pessoas conseguem sair do conforto de suas casas, gastar um dinheiro que muitas vezes elas não tem com ingressos de preços absurdos, somente para ficarem empilhadas umas em cima das outras naquelas arquibancadas totalmente desconfortáveis. E ainda existem pessoas que pagam preços ainda mais caros com aquelas fantasias cheias de penas de pavão maluco, penas de avestruz suicida e outros animais não menos esquisitos. Tudo isso em troca de que? Qual será a graça que estes infelizes vêem no carnaval? Ficar pulando, gritando, enquanto um bando de energúmenos cruza setecentos metros de chão, sorrindo falsamente para as câmeras da Globo. Confesso que, quando eu vejo algumas imagens desses desfiles, eu torço por demais que algum desses artistas e celebridades de merda caia, tropece, escorregue e se estabaque no chão bem na frente dos jurados. Imaginem o sambódromo inteiro, todas as pessoas na arquibancada e nos camarotes, rindo, dando gargalhadas de um artista estatelado no chão. O narrador e o comentarista tentando amenizar a situação, dizendo: "Foi apenas um movimento coreografado".
O mais engraçado é que rotulam este rentável carnaval como 'a maior festa popular do mundo'. Festa popular é o cacete. O carnaval só será festa popular quando os indivíduos de verdadeira importância do carnaval forem aqueles que estão nas arquibancadas e não aqueles que estão muito bem acomodados nos camarotes de marcas de cerveja. Quando os gringos vierem pra cá em busca do conhecimento da nossa cultura e não atrás de garotas de doze, treze anos que já sustentam as famílias através da prostituição.
Por outro lado, não se deve desmerecer a importância que esse carnaval da suprema ignorância tem para algumas pessoas. Os membros das várias comunidades que são representadas através das escolas de samba enxergam no carnaval uma única fonte de felicidade para vidas tão sofridas. Isso é legal. Empregos que são gerados com a produção e confecção das fantasias, das alegorias. Tudo isso é muito bacana. Só que quem sai na foto da revista no final é a atriz da novela que nunca foi a um ensaio sequer e que mal sabe sambar. Quem vai ganhar o destaque, o status, é a porra da fudida siliconada que só aparece uma vez no ano, que depende do carnaval pra obter algum tipo de espaço na mídia, e não a velha senhora da ala das baianas que é capaz de dar a vida em troca do bem de sua agremiação. Mas se a Globo disse que é a maior festa popular do mundo, está dito!
Eu que, nessa carnificina da inteligência humana, nessa negação aos nossos valores morais, nesse afronte aos bons costumes, nesse ritual profano de culto ao 'coisa ruim', fiquei em casa sem mais reclamações, resolvi fazer algumas top five especiais de carnaval. Como 90% das pessoas que eu conheço viajaram, e outros 9% não querem sair de casa nem pra comprar pão, considerei a possibilidade de ficar as madrugadas na internet baixando músicas no soulseek. E não me arrependi. Até gostaria de ter participado do carnaval de rua que tem aqui no Rio de Janeiro, com alguns blocos tradicionais, mas não foi possível. Mas enfim, foda-se. Afinal no próximo ano será novamente a mesma palhaçada, a mesma historinha, as mesmas pessoas, os mesmos peitos, as mesmas bundas e o mesmo blá blá blá.
As cinco piores frases do carnaval (as pérolas que fizeram a alegria dos corneteiros)
1. "Olha lá a água que sai do carro, é água de verdade!" Chico Pinheiro, na narração dos desfiles das escolas de samba de São Paulo.
2. "É isso aí galera, o carnaval da Bahia tem a alegria baiana de ser" Carla Perez, durante a transmissão do carnaval baiano pela Band.
3. "A Luciana Gimenez está parecendo um frango depenado com essa fantasia" Ronaldo Ésper, estilista e comentarista dos bastidores do carnaval pela Rede TV!
4. "Até porque o camarote é muito mais confortável do que a arquibancada" Ana Hickmann, modelo e repórter da Record nas transmissões do carnaval.
5. "Já passaram quase todos os artistas aqui, mas nenhum deles quis falar com a gente" Uma repórter da Rede TV cujo nome eu não lembro.
As cinco maldições do carnaval (maldição, maldição, maaaaldição! queima, jesus!)
1. O primeiro dia do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, na Globo.
2. O segundo dia do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, na Globo.
3. O carnaval baiano com suas músicas chatas e inaudíveis, além da inigualável, a inefável, a insuportável apresentação de figuras sem escrúpulos como Carla Perez e Astrid Fontenelle.
4. O Ronaldo Ésper e a Monique Evans.
5. A música do comercial da camisinha.
As cinco pessoas mais dependentes do carnaval (leia-se as mulheres que só aparecem na mídia uma vez por ano)
1. Luma de oliveira, dona da disputadíssima vaga de rainha de bateria da Caprichosos de Pilares.
2. Valéria Valenssa, a maldita 'globeleza'.
3. Viviane Araújo, simplesmente a mulher do Belo (aquele pagodeiro que foi preso).
4. Solange Gomes, a mãe do filho do Waguinho (aquele outro pagodeiro que também foi preso).
5. Fábia Borges, se você não sabe quem é procure no google.
As cinco coisas mais bem-sacadas do carnaval (destaque para a enorme dificuldade de se encontrar coisas boas no carnaval. Não se espante se eu ter apelado para mulheres gostosas)
1. Carnaval de Rua em todo o Brasil. Desde os blocos cariocas até os bonecões de Olinda.
2. Os bailes da Buttman.
3. A escalação do Repórter Vesgo e do Ceará para a cobertura do Gala Gay.
4. O Dado Dolabela sendo expulso do desfile da Portela pelos seguranças. (rá rá rá rá!)
5. Mulheres gostosas em todos os cantos.
As cinco mancadas do carnaval (categoria altamente disputada já que o número de mancadas no carnaval é exorbitante)
1. O enredo de uma das escolas de samba de São Paulo que mostrou a sempre interessantíssima história de vida de Chitãozinho e Xoróró.
2. A queda de energia que deixou o sambódromo no escuro por alguns minutos.
3. A fuleiragem com a velha guarda da Portela.
4. A famosa águia do abre-alas da Portela, que veio sem as asas.
5. A falha técnica que cortou o som dos microfones durante o desfile da Viradouro.
As revelações deste carnaval (os que novatos de carnaval que se destacaram)
1. Repórter Vesgo e Ceará, como repórteres de carnaval da Rede TV!
2. Sabrina Sato, como repórter de carnaval da Rede TV!
3. Jacaré, como repórter de carnaval da Rede TV!
4. Sandy e Júnior, como péssimos foliões no desfile de uma das escolas de samba de São Paulo.
5. Suzana Vieira, aos 150 anos de idade, como rainha de bateria da Grande Rio.
As cinco músicas mais tocadas no carnaval (bom seria se todos ficassem surdos durante o carnaval)
1. 'Festa no apê', do Latino.
2. 'Poeira', da Ivete Sangalo.
3. 'Festa', da Ivete Sangalo.
4. 'Eu to comendo o seu marido', do Bonde do FazGostoso.
5. A música do comercial da camisinha.
As cinco personalidades mais bizarras do carnaval (a mínima graça que o carnaval pode ter)
1. Clóvis Bornay, lendária figura que já dependia do carnaval para aparecer na mídia antes mesmo do carnaval existir.
2. Bell Marques, o vocalista do Chiclete com Banana.
3. Nelson Rubens, o cafetão da fofoca na televisão.
4. Carla Perez, apenas mais uma ex-dançarina do É o Tchan.
5. Monique Evans, "dAh OiZiNhO pRa TiTiA dÁh"
Os meus cinco desejos para este carnaval
1. Que haja um tsunami e carregue o sambódromo.
2. Que a putaria generalizada no Brasil seja livre e sem cunho comercial.
3. Que os artistas levem estabacos durante os desfiles.
4. Que retirem a Monique Evans urgentemente da televisão.
5. Que todos vão pro inferno.
O carnaval comendo lá fora e eu aqui vendo João Kleber
ouvindo: xiu xiu - don diasco |
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publicado por AFORISMO.NET @ 8.2.05
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Apenas mais cinco minutos |
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Apenas mais um,
Não há nada de incomum
Ora, apenas mais dois,
Tudo foi deixado pra depois,
Claro, apenas mais três,
Nós conseguiremos dessa vez,
Por favor, apenas mais quatro,
Juro que lhe mando o seu extrato.
Antes, na rua, passara por uma freira,
E ela disse bem assim: “Deus está contigo”
No momento seguinte veio o castigo,
Tropeçou no carrinho da feira,
Cheio de maçãs suculentas,
Pensou em pegar uma, pensou... E pegou.
Mas que pecador! Comera a maçã do mal...
Embora estivesse com fome.
Mas aquilo não era dele...
No momento seguinte veio o castigo...
O cara do banco fechou a porta na cara dele.
NÃO PERTURBE
Que aviso será aquele?
EM CASO DE INCÔMODO O SEGURANÇA SERÁ CHAMADO
Depois de um tempo parado,
Percebeu que o banco estava sendo assaltado,
Foi salvo pela maçã do pecado,
Pelo castigo que lhe fora dado.
Deus estaria com ele?
Ele prefere não pensar.
Não ousa afirmar,
Mas também não ousa duvidar,
Somente o tempo lhe mostrará,
Somente a morte revelará,
De onde ele veio,
Pra onde ele irá.
Seria necessário voltar o tempo em demasia,
E não saberei dizer o que ele faria,
Se assim acontecesse.
Só sei que se ele morresse,
Hoje, neste exato momento,
Precisaria de um pouco mais de tempo,
Aproximadamente mais cinco minutos. |
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publicado por AFORISMO.NET @ 1.2.05
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...textos
memoráveis |
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...vida
boêmia |
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...análises
pontuais |
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...jogos em tempo real |
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