Marcel Duchamp não poderia ser biografado de melhor maneira senão com a poética genial do brasileiro Augusto de Campos, em parceria com o ilustrador Julio Plaza. "Reduchamp" (Annablume, 68 páginas) chega às livrarias para resgatar a vida e a obra de um dos ícones da arte no século XX, cujo legado se divide entre o período conceitual na Europa e o experimentalismo dadaísta na América. Pintor, escultor, enxadrista, poeta e, principalmente, boêmio de corpo e alma; Duchamp teve várias representações e fez de si mesmo um dos grandes personagens (usou pseudônimos como "R. Mutt" e "Madame Rrose Sélavy") da cena nova-iorquina na década de 20.
Não me lembro de ter testemunhado menções a Duchamp na época de faculdade, mas muito se falava (e ainda se fala) do conceito ready made. Uma arte crua, puramente irônica, que transporta elementos banais (ou não) do nosso cotidiano para um cenário conceitual, atribuindo-lhes valor artístico. Trata-se de uma estratégia no sentido de revolucionar a composição da realidade visível; o que estava em jogo era a ideia, o fazer artístico, independentemente da sombra das convenções.
Exemplo clássico do ready made é a utilização de uma simples privada, batizada "A Fonte" (veja na foto ao lado), que leva a assinatura de um dos seus pseudônimos, "R. Mutt". Ainda que tenha sido rejeitada em um primeiro momento, a repercussão foi global. Muitos quebraram a cabeça para entender a razão pela qual Duchamp fez de um mictório sua obra de arte mais conhecida, sem qualquer modificação em relação à forma do objeto. Essa era, pois, a principal contribuição do ready made. Tornar a arte cerebral.
Em "Reduchamp", Augusto de Campos - um dos precursores da poesia concretista - analisa o trabalho conceitual e revolucionário do artista francês, além de relatar sua vida de boemia, despojamento, sempre em grau máximo de sincronia criativa. Qualquer coisa, por mais banal que fosse, poderia virar arte nas mãos de Duchamp. Portanto, nada mais coerente que a trajetória do artista seja narrada através de um poema-ensaio.
O ENIGMA DUCHAMP. Enquanto pintor, Duchamp destacou-se por uma espécie de "deboche" quanto ao cubismo. De fato, se olhamos para “Nu descendo a escada”, é possível observar a característica sequencial da imagem (veja na foto ao lado), que aparenta estar em movimento; ligeiro, porém real. O mesmo ocorre em "Rei e Rainha rodeados por rápidos nus" e "A Noiva". A mudança para os Estados Unidos (tornou-se cidadão americano em 1955) impulsionou a carreira de escultor e a inspiração dadaísta. Sua grande obra - "O Grande Vidro" - levou anos para ser elaborada e até hoje suscita debates acerca de suas motivações.
Segundo Octavio Paz, autor do livro "Marcel Duchamp ou o Castelo da Pureza", a trabalhosa arte (também chamada "A noiva desnudada por seus solteiros, mesmo") "é um enigma e, como todos os enigmas, não é algo que se contempla mas sim que se decifra". Ela é composta por dois painéis de vidro emoldurados com alumínio; na parte superior, uma figura abstrata correspondente à imagem da Noiva; no lado inverso, os solteiros vagabundos representados por meio de uma técnica experimentalista, que inclui cabides e destroços de um moinho de café. Veja na foto ao lado.
Foram quase dez anos de labuta no sentido de criar um novo mecanismo de expressão artística, cuja compreensão é muito mais do que subjetiva. Como pontua Octavio Paz, capta-se em "O Grande Vidro" um enigma a ser decifrado. O trabalho está em exposição até hoje no Museu da Filadélfia.
Tonhão, bravo guerreiro dos campos de várzea, certo dia acordou de mau humor. Olhou para a esposa, filhos, e imaginou como seria dar um carrinho por trás naquela rotina sufocante que lhe apetecia. Tomou café em silêncio, organizou seus pertences, preparou a marmita e se lançou em mais uma sexta-feira de trabalho na única oficina mecânica da provinciana Ibipitanga, interior da Bahia. Aquele dia, contudo, seria especial para o voluntarioso camisa 5, titular incontestável do Cavalo Manco Futebol Clube¹. Às 16 horas, seu time entraria em campo para o embate decisivo contra o Esporte Clube Filhos de Jacira, na final do campeonato amador mais obscuro do futebol brasileiro.
Antes disso, convém detalhar brevemente a trajetória heroica do Cavalo Manco na competição – a mesma que, na década de 60, revelou um dos maiores jogadores que este país já viu, o zagueiro Percival. Com uma campanha apenas razoável na fase de grupos (uma vitória por 2 a 1 e três empates sem gols), o time precisou galopar muito para garantir a classificação, que só veio na repescagem da chave. Depois de mais um empate em 0 a 0, dessa vez com os galácticos do Menino Mambembe FC, a vaga foi decidida nos pênaltis.
Na ocasião, brilhou a estrela do goleiro Lindomar, que defendeu a quinta penalidade do adversário. Tonhão, encarregado da última cobrança, soltou uma bomba no meio do gol e levou ao delírio pouco mais de 27 torcedores presentes no Carecão de Ibipitanga. Nas oitavas-de-final, mais dois empates e decisão nos pênaltis novamente. Lindomar defendeu outras duas cobranças e caiu definitivamente nas graças da torcida – o ágil goleiro foi tão festejado que acabou faturando um ano de almoço grátis no Boteco do Jorginho. Na fase seguinte, os cavaleiros eliminaram uma das equipes favoritas ao título, o Acarachelsea, com dois triunfos pela contagem mínima.
A semifinal foi uma verdadeira batalha campal – em dois jogos, o árbitro expulsou oito jogadores e aplicou 26 cartões amarelos –, com destaque para o primeiro duelo entre Cavalo Manco e Grêmio Precário, encerrado precocemente em função do número insuficiente de jogadores em campo. No jogo da volta, o glorioso Tonhão fez um gol de carrinho aos 48 minutos do segundo tempo e garantiu a vaga na final.
Inveterado e macunaímico, Antônio Dias da Silva, 29 anos, torcedor fervoroso do Bahia, fazia da bola (e da cachaça) a sua válvula de escape. Seu humor não era dos mais horizontais, o que gerava discussões, brigas e, em alguns casos mais extremos, tentativas de homicídio. Certa vez chegou a ser investigado pelo delegado da cidade, Garcia, sob acusação de jogar uma cobra venenosa no quintal do vizinho que lhe roubava galinhas. Ele negou, mas toda a cidade de Ibipitanga sabe que ele só se livrou da cadeia depois de solucionar gratuitamente alguns problemas hidráulicos na Caravan 1976 do delegado Garcia.
Se não podia acabar com a raça do vizinho que lhe roubava galinhas ou mesmo da própria esposa, Geralda, 112 quilos de pura maledicência, alguém tinha que pagar o pato. A habilidade para causar hematomas nas canelas alheiras era notável, não à toa ganhou a faixa de capitão. Muitos reclamavam, alguns chegavam a encarar, mas ninguém tinha coragem de chamar Tonhão para a briga. Questionado pelos colegas sobre suas características de jogo, ele costumava a dizer: "(...) sou um volante de contenção, tenho orgulho desse título. Faço o meu trabalho, ainda que para isso seja necessário levantar um ou outro adversário".
Tonhão nunca chegou a fazer testes para se tornar um jogador profissional e essa talvez seja a maior frustração de sua vida. A guerra começou cedo para ele, que já foi vendedor de batatas, auxiliar de cutelaria, office-boy, vendedor de sorvete, pedreiro e figurante funerário (no interior da Bahia, é motivo de humilhação para a família do morto se o enterro não tiver um número razoável de pessoas). Nos intervalos de sua inóspita trajetória, os campos de terra batida proporcionavam aquele conceito de Felicidade com "f" maiúsculo, do filósofo Gilles Lipovetsky: para o jogador, mirar alguma parte do corpo do adversário (não importa qual) e projetar a pancada, desconstruindo a lógica do futebol-arte em movimentos previamente calculados.
E depois de cerca de dez anos tentando levar o Cavalo Manco à decisão do campeonato de futebol amador do interior baiano, Tonhão enfim experimentava a sensação do triunfo. Para o combativo capitão da equipe do bairro Cavalinhos, o protetor da zaga, por vezes chamado de carregador de piano, o êxtase daquela tarde cristalizava um fluxo de adrenalina que, em campo, certamente se traduziria em carrinhos e botinadas. Na entrada para o Carecão de Ibipitanga – campo no qual a areia está em primeiro plano, colorido pelo volume extremamente discreto de grama crescente no entorno das quatro linhas –, com a obsessão ornamentando o olhar, memorizou a feição das canelas de pelo menos cinco dos 11 jogadores adversários.
O primeiro tempo foi levado em tom wagneriano, com falsetes abafados para ambos os lados. Taticamente, Tonhão teve um grande desempenho: atuou basicamente na cobertura dos laterais, já que o Cavalo Manco, para surpresa de sua própria torcida, adotou uma postura ofensiva e pressionou o adversário. Mas o camisa 5, claro, não poderia findar os 45 minutos iniciais sem receber um cartão amarelo, aplicado pelo árbitro Celestino Hora depois de uma cotovelada no endiabrado Zequinha, o camisa 10 do Filhos de Jacira.
Na primeira metade da etapa complementar, prevaleceu o equilíbrio entre Cavalo Manco e Filhos de Jacira. O segundo, que jogava com a tradicional linha de quatro jogadores no meio-de-campo, tinha mais posse de bola, porém carecia de objetividade – muitos passes laterais e poucas jogadas de ataque. Na reta final do confronto, o clima esquentou em todos os sentidos.
Aos 32 minutos, um torcedor invadiu o campo e precisou ser retirada a base de safanões e pontapés pelos próprios jogadores. Passado o entrevero, o Filhos de Jacira se aproveitou de uma falha da defesa adversária para abrir o placar: Zequinha chegou à linha de fundo pela esquerda e cruzou na medida para Valdomiro, que arrematou de primeira e acertou o ângulo do goleiro Lindomar. A autopunição de Tonhão, que chegou atrasado para fazer a cobertura, era certamente imensurável. A eminência do fracasso estava estampada em seu rosto.
Cinco minutos antes do último apito, a descarga de adrenalina combinada à frustração foi demais para o valente capitão do Cavalo Manco. Ao ver o jovem peralta da camisa 10 (como Tonhão costumava dizer aos amigos, “lá vem a saltitante foca adestrada”) arrancando em direção à meta do goleiro Lindomar, não pensou duas vezes: mirou no ligamento talofibular do tornozelo esquerdo e se lançou ao front, desferindo um golpe cirúrgico, cuja precisão não poderia ser aferida nem pelo mais experiente mestre da Grande Arte do Percor.
Celestino Hora também não titubeou. Pela terceira vez na competição, tirou o cartão vermelho (na verdade, um recorte de cartolina) do bolso lateral da bermuda jeans e o mostrou para Tonhão, que, apesar das controvérsias, acatava todas as decisões do juiz e praticamente não reclamava durante as partidas. Deixou, pois então, o Carecão do Ibipitanga com um sorriso no rosto, já que uma estranha sensação de completude lhe roubara de sobressalto. Após o jogo, mesmo com a derrota, o tradicional churrasco dos cavaleiros registrou bom público. E há quem diga que Tonhão, em determinado momento daquela dialética de mesa de bar, bradou para quem desejasse ouvir: “Sim, perdemos o jogo. Mas a comemoração da foca adestrada será no hospital”.
¹ O Cavalo Manco Futebol Clube é o segundo clube amador mais popular do interior da Bahia, atrás apenas do Acarachelsea. A agremiação surgiu no bairro de Cavalinhos, zona sul de Ibipitanga, e manda suas partidas no Carecão de Ibipitanga, que pertence à Associação de Moradores de Cavalinhos.
“Quando fico mais fraca, é que fico mais forte”, disse ela, no momento em que o garçom trouxera mais uma garrafa de Erdinger, pois a da mesa já estava vazia. Discutíamos a respeito da resistência alcoólica das pessoas em geral ou algo do tipo (sinceramente, não me recordo com exatidão).
“Eu me lembro dessa frase. Se não me engano, a escutei em algum desenho japonês do início dos anos 90”, respondi.
“Eu era uma grande fã desse seriado, cujo nome também não lembro. Mas o que é, de fato, relevante, é... (pausa) Como ela se encaixa perfeitamente nos meus momentos ébrios, nas minhas incursões noturnas pelos bares da cidade”, ela retrucou, riscando um desses fósforos de hotel para acender o seu Camel.
“Deixe-me entender. A embriaguez impulsiona uma força interior desconhecida por você na continuidade dos sentidos, isto é...”, interrompi o raciocínio, não chegaria a lugar algum. Digamos que fora apenas uma vã tentativa de compreendê-la, pois eu estava realmente disposto a dedicar toda e qualquer atenção a ela, compartilhar de todos os pormenores, mesmo que estes não fizessem sentido algum.
“Nessa vida ninguém foge porque tem medo. Pelo contrário, medrou quem fugiu”, ronronou ela.
“De certa forma, atrelar a sua força interior à ingestão de bebidas alcoólicas pode ser visto como um espécime de covardia, não acha?”, repliquei, olhando-a fixamente, sem que nenhum detalhe de seu corpo escapasse às minhas retinas.
"Se você é capaz de sorrir quando tudo deu errado, é porque já descobriu em quem por a culpa”, ela sussurrou baixinho, com o olhar preso ao copo, no momento em que uma névoa abandonara a sua boca.
“Então você afirma que todos os seres humanos são covardes? Que a angústia provocada pela falha, ou eventual omissão, surge naturalmente na medida em que convivemos com os nossos receios? Que a postura estática é, na verdade, a pobreza moral?”, questionei, ainda na tentativa de compreendê-la. Fosse outra e eu já teria me levantado para jogar caça-níquel ou, quem sabe, distribuir puladinhos e cruzados ao som da Orquestra Tabajara.
“Pobre é foda, meu querido. Sempre diz que não tem nada, mas quando chove diz que perdeu tudo”, replicou, apontando para um casal na mesa ao lado. “Veja-os. São casados, provavelmente. O matrimônio é a única instituição na qual se conquista a liberdade por mau comportamento“, completou.
“O casamento pode significar a ruptura no que diz respeito aos laços de liberdade, concordo, porém há quem considere tal instituição como projeto de vida propriamente dito. Há aquelas que anseiam maridos ricos ou financeiramente estáveis, médicos talvez. Outras, por sua vez, largam tudo para viajar pela América do Sul com um hippie argentino, cuja renda mensal não passa de míseros 150 reais mensais, obtida através da comercialização de óculos escuros em Copacabana, além de outras bugigangas e quinquilharias hippies produzidas entre um baseado e outro”, falei, antes de beber os três últimos dedos de Erdinger.
"Há duas palavras que abrem muitas portas: Puxe e Empurre”, respondeu, seca. Sua obsessão etílica já estava a bater à porta novamente.
“Clarifique o raciocínio, por favor”, eu disse.
Ela, porém, se calou. Por cinco ou seis segundos, a odiei por adotar um silêncio com viés de indiferença, como se aquele diálogo, aquele momento de interação quase existencial, jamais tivesse existido. Como se incinerar variadas experiências fosse algo fácil, automático, superficial. No entanto, é sabido por 99% dos meus amigos de mesa de bar: eu não seria capaz de nutrir ódio por ela. Não mesmo.
Ela se calou e... Assim permaneceu. Ela, a garrafa. Ali, na minha frente, refletindo de forma velada uma inquietude acerca do destino, exalando angústia por meio de poros insólitos. Um contraste entre o vigor intrínseco, potencialmente capaz de derrubar quaisquer indivíduos, e a fragilidade de sua embalagem, de sua máscara, de seu esconderijo. A resposta e a dúvida, ao mesmo tempo.
Confira abaixo o vídeo da música You And Whose Army (Amnesiac, 2001), feito por este que vos fala durante a indescritível apresentação do Radiohead, na última sexta-feira (20), na Apoteose. A banda inglesa foi a principal atração do festival Just a Fest, que contou também com os shows do Los Hermanos, após um longo período de inatividade; e dos alemães do Kraftwerk.
Este é só o primeiro vídeo que posto aqui. Gravei outras músicas, mas infelizmente ainda não tive tempo hábil para editá-las, já que trabalhei neste fim de semana.
Como todos sabem, viradas de ano são quase sempre marcadas por otimismo coletivo, o que faz com que a maioria dos indivíduos procure lugares nos quais há multidões exorbitantes, queima de fogos, champagne, mães de santo e suas oferendas etc, etc. Independentemente do grau de violência de uma cidade em questão, milhões de pessoas caem na noite a fim de celebrar uma data tão nobre, além de renovar esperanças e compartilhar alegrias. Ninguém espera ter qualquer tipo de contato ou até mesmo pronunciar palavras como morte, tragédia, fatalidade. A não ser, claro, os que estão de plantão em instituições como o Instituto Médico Legal.
De um modo geral, o número de mortes na passagem de 2008 para 2009 foi menor se compadado com o do réveillon passado. Tanto que foi necessário abrir exceção para uma fatalidade ocorrida em Gama, Brasília, às 19h30min do dia 31 de dezembro, a fim de constituir a segunda edição do "Top Cinco Mortes do Réveillon" (um senhor morreu eletrocutado enquanto usava uma máquina de solda). A maioria dos grandes centros urbanos não teve episódios mais sérios de violência, a exceção da região metropolitana de Curitiba, que registrou um índice maior de mortes em relação à última virada de ano: 11 a 7.
A passagem de ano em Brasília registrou apenas um caso de morte. Segundo a polícia, Fernando Rodrigues Alves, 52 anos, morreu eletrocutado ao usar uma máquina de solda, por volta de 19h30min, no Gama. Não foram divulgados maiores detalhes em relação ao caso. As informações são do Correio Braziliense.
De acordo com as autoridades, a maioria das ligações recebidas pelo 190 entre a noite do dia 31 e a manhã de 1 de janeiro diz respeito a brigas - aproximadamente 200 telefonemas. Na Esplanada dos Ministérios, cinco pessoas foram vítimas de esfaqueamento, mas nenhuma ficou em estado grave.
O ano de 2009 durou apenas dez minutos para o motorista Ricardo Donizete de Souza. O rapaz, de 24 anos, morreu após receber uma facada, por volta das 0h10min, em Ibaté, interior de São Paulo, durante as comemorações da virada do ano.
Ele estava com a namorada no momento em que um homem não identificado desferiu o golpe, após uma série de provocações. O autor do crime fugiu e ainda não foi reconhecido. As informações são da EPTV.
Mais uma forte por esfaqueamento. Durante as comemorações do réveillon na Ilha do Mel, no litoral do Paraná, um homem foi encontrado morto com várias perfurações pelo corpo. O criminoso foi preso e está detido na delegacia de Paranaguá.
Segundo a Polícia Militar, o autor do crime tem 22 anos e foi descoberto após pedir ajuda em um posto de saúde da Ilha, alegando ter sido esfaqueado. Os enfermeiros desconfiaram e acionaram a Polícia Ambiental, que fez uma busca no local citado pelo jovem e acabou encontrando o corpo da vítima. As informações foram confirmadas pelo Major Adonis Sobor Furuushi em entrevista à Gazeta do Povo.
Jaílton Trajano da Silva, de 11 anos, morreu após ter sido atropelado por um motociclista, às 2h40min do dia 1 de janeiro, na rodovia BR-230, em Bayeux, na Paraíba. Ele não resistiu aos ferimentos e acabou morrendo no local. O acusado foi identificado como Thiago Eliseu Brasil, de 18 anos, que foi preso em sua residência após ter sido identificado por mototaxistas que trabalham na região. O criminoso foi encaminhado para a 9ª Delegacia Distrital de Mangabeira.
Lorival Salvino da Silva, de 67 anos, foi atropelado por um caminhão guincho na mesma rodovia, horas antes da virada do ano, e também morreu. A placa do caminhão foi identificada como MNA 9162. As informações são do site Paraíba1.
A primeira morte de 2009 no Paraná aconteceu em Campo Largo, município limítrofe de Araucária, cidade da região metropolitana de Curitiba. Rogerson Maicon Prado Sidal de Siqueira, de 19 anos, foi assassinado a tiros por dois ou três homens, por volta das 3 horas, em sua residência localizada no bairro Ferraria. Ele estava sozinho em casa no momento do crime. Segundo a polícia, ainda não há suspeitos. As informações são da Gazeta do Povo.
Já a capital teve um caso de homicídio meia hora antes da virada do ano, no Bairro Alto. A vítima foi identificada como Marciano Aparecido, 24 anos, que foi baleado na altura da Rua Marco Polo enquanto estava na garupa de uma moto. O motorista, de 28 anos, também foi atingido, mas foi assistido pelos médicos do serviço de atendimento e está fora de perigo.
Além dos homicídios na virada do ano, o Paraná teve quatro mortes causadas por acidentes de trânsito, três a mais do que no ano passado. O Instituto Médico Legal recebeu também três corpos sem a causa mortis preliminar clara. No total, o réveillon deste ano teve quatro mortes a mais em relação à virada 2007-2008: 11 a 7.
MUY AMIGO. O assaltante Antônio Rodrigues do Nascimento, de 22 anos, morreu após ser baleado no rosto, horas antes da virada do ano, em Porto Velho, Rondônia. Mas, curiosamente, o disparo não foi feito em um confronto com a polícia, e sim pelo seu próprio comparsa, que não foi identificado. O crime aconteceu enquanto a vítima e mais dois homens assaltavam um estabelecimento comercial. Tudo corria bem até que um dos criminosos, responsável por dar cobertura aos colegas, resolveu invadir o estabelecimento e atirar em um dos comerciantes. No entanto, errou o alvo e acertou Antônio, que morreu no local. As informações são do site Rondônia Agora.
2 MILHÕES EM COPACABANA. Dois milhões de pessoas lotaram a praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para a já tradicional queima de fogos. Foram poucos os incidentes de violência e nenhuma vítima fatal, o que a Polícia Militar considerou como saldo positivo.
A cena mais esdrúxula ficou por conta de dois homens que trocaram socos na areia, minutos antes da queima de fogos. Um deles terminou com um ferimento no nariz. Veja no vídeo abaixo.
O que chamou verdadeiramente a atenção no réveillon de Copacabana foi o número recorde de indivíduos que se retiraram ao fim da queima de fogos. Das duas milhões de pessoas que compareceram à praia, apenas 30% ou 40% ficaram até pelo menos quatro horas da manhã, como ERA de costume. Uma parcela razoável, é bem verdade, preferiu migrar para o Arpoador e Ipanema. Em um determinado momento, lá pelas cinco da manhã, a Avenida Atlântica muito se parecia com um cenário de "Ensaio Sobre a Cegueira" ou algo do tipo. Uma debandada generalizada e um acúmulo insólito de lixo pelas ruas.
Há algumas hipóteses que justificam esse fenômeno. A principal, creio eu, foi a ausência de opções realmente interessantes de entretenimento, com todo respeito aos que gostam de pagode e ao tal 'Revelação', que eu sinceramente desconhecia.
MORTES INTERNACIONAIS. Não é apenas no Brasil que pessoas morrem durante o réveillon. Na Colômbia, por exemplo, foram 64 mortes mortes em todo o país, segundo informações da Reuters. O caso mais trágico foi o da explosão de uma granada em um estabelecimento público indígena no nordeste da Colômbia, no qual aproximadamente 150 pessoas comemoravam a passagem de ano. O incidente provocou a morte de cinco pessoas e outras 65 ficaram feridas. A polícia colombiana ainda não sabe se foi um acidente ou se alguém teria usado a granada de forma intencional.
No Japão, por sua vez, seis pessoas morreram e outras quatro ficaram feridas num incêndio em uma casa localizada em Manto, na província de Toyama, segundo informações da agência EFE. A proprietária da casa era uma idosa de 78 anos, que celebrava a passagem de ano junto com seus familiares. Além dela, a polícia acredita que o filho, de 52 anos, a nora e seus dois netos também morreram. A polícia ainda estuda as possíveis causas do incêncio.
Um incêndio também foi o motivo pelo qual 60 pessoas morreram e 200 ficaram feridas durante as comemorações do réveillon numa discoteca em Bangcoc, segundo a agência EFE. O incidente acabou destruindo o clube Santika, no distrito de Ekkamai, um bairro de entretenimento da capital tailandesa. Segundo a polícia, 53 pessoas morreram no interior da discoteca e outras seis depois que foram levadas a hospitais. As chamas atingiram a discoteca por volta das 0h (horário local).
Há cinco anos, Marcel largou uma vida pacata no interior do Paraná em busca de um sonho: produzir road movies. Antes de partir, vendeu a televisão da mãe (uma Telefunken da década de 80) e a torradeira da avó para adquirir a handcam da Tecnomania, conhecida como Tekpix, frequentemente anunciada em programas de fofoca veiculados por algumas emissoras de televisão, principalmente no período vespertino. Começou a filmar já na rodoviária de Maringá, em direção à Curitiba, mas se deu conta de que não conseguiria histórias suficientemente relevantes a bordo de um ônibus comum. Resolveu, então, que iria até São Paulo por meio de carona.
Pegou a BR-116 às seis e meia da manhã de uma quinta-feira, na caçamba da caminhonete de um homem que se identificou como Jacinto, 39 anos, agricultor. Visionário, aceitou prontamente ceder a carona em troca de uma menção nos créditos do road movie. Marcel filmou incansavelmente, preocupando-se com os planos, com a sequencia de imagens, com o enquadramento e os elementos de cada take. No entanto, já distante de Curitiba e com um lingínquo caminho a percorrer até a capital paulista, a bateria acabou. Era o fim do sonho.
Agradeceu a Jacinto pela prestatividade e iniciou a procura por uma bateria compatível (ou mesmo um recarregador) com a Tekpix no município de Jacupiranga, litoral sul de São Paulo, 217 quilômetros da capital. Porém, não obteve sucesso, pois a última grande descoberta tecnológica em Jacupiranga foi o Tamagoshi. O fim de semana chegou e Marcel, já cansado e desiludido com a possibilidade de dar continuidade ao seu road movie, entregou-se à bebida e à libertinagem.
Gastou naquele sábado praticamente todo o dinheiro que levou, com doses e mais doses de Dreher no Bar do Casemiro, ou mesmo uma incursão libidinosa no Bordel da Tereza Navalha.
Acordou na segunda-feira em um banco da praça que fica de frente para o bordel, maltrapilho, sem a sua mochila e a Tekpix (fora roubado durante a noite, muito provavelmente) e com a sensação de que havia sido pisoteado por uma manada de elefantes indianos. A frustração era tanta que fez Marcel beirar à insanidade e, em vez de pedir ajuda para retornar à Curitiba, preocupou-se apenas em beber e praguejar a Tecnomania.
O rapaz foi apelidado pelos frequentadores do Bar do Casemiro como o Kerouac de Jacupiranga. Atualmente, ele tem 29 anos e transita pelas ruas parcialmente asfaltadas do município, proferindo ofensas desconexas contra a Tekpix. Seu sonho é voltar para o Paraná e comprar uma Sony Mini-DV DCRHC52.